Quando vai nascer?

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ImageAlguns pais entendem a data provável do parto como um momento «limite» a partir do qual a gravidez não pode prosseguir, quando afinal ela é meramente uma referência que permite, de forma aproximada, identificar o momento em que ocorrerá o parto. Por isso, é importante que compreenda como é determinada esta data, qual o seu significado e o que deve esperar em termos de vigilância e atitudes clínicas quando a sua gravidez ultrapassa essa data.

As nossas avós e as suas mães, numa época em que não era comum a vigilância médica da gravidez, utilizavam o ciclo lunar para predizer o momento aproximado do parto. Efectivamente, o ritmo de luz nocturna determinada pela variação lunar regula os ritmos biológicos da mulher, particularmente as variações hormonais subjacentes ao seu ciclo menstrual. É por esse motivo que ainda hoje se considera que o ciclo menstrual da mulher tem a duração média de 28 dias - mês lunar.

A comunidade científica considera actualmente que a duração média da gravidez é de 280 dias, ou 40 semanas, a contar do primeiro dia da última menstruação. Isto corresponde a aproximadamente nove meses no calendário regular ou a dez meses lunares - pelo que a «contagem das luas» das nossas avós estava bem próxima da verdade! Subjacente a este cálculo estão as premissas de que a mulher tem ciclos menstruais regulares de 28 dias, e que terá ovulado e, portanto, concebido ao 14º dia do seu ciclo. É aqui que começam as variações, já que a duração do ciclo menstrual normal pode ser bem diferente.

Se uma mulher tem ciclos de 35 dias, a sua ovulação ocorrerá provavelmente ao 21º dia do ciclo e essa diferença de sete dias (ou seja, uma semana) terá de ser acrescentada aos 280 dias de duração provável da gestação, já que a concepção, no seu caso, foi mais tardia! Talvez pareça confuso, mas pretende-se apenas que seja compreensível para si que a determinação da data provável do parto pode não ser fácil e que apenas cerca de 5% dos partos ocorrem na data esperada, considerando-se normal que ocorram até três semanas antes ou duas semanas depois da mesma, isto é, entre a 37ª e a 42ª semana de gravidez (período considerado como «gravidez de termo»).

Como se calcula a data provável do parto?
A sua colaboração vai ser importante, particularmente o seu registo das datas correspondentes ao primeiro dia das últimas menstruações. Assim, o cálculo é feito da seguinte forma:

Mediante a data do primeiro dia da sua última menstruação são-lhe adicionados os tais 280 dias ou 40 semanas, encontrando-se a data provável do parto. Existe uma regra simples para este cálculo, que consiste em acrescer à data da menstruação 7 dias e diminuir depois 3 meses. Parece complicado? Imagine que menstruou pela última vez dia 1 de Março de 2004 (1/03/2004); a sua data provável do parto será dia 8 (acresce 7 dias a dia 1) de Dezembro (Março, mês 3, menos 3 meses) de 2004. A data da última menstruação permite definir qual o seu tempo de amenorreia ou idade gestacional (tempo de duração da sua falta menstrual), que lhe será referida em semanas.

Seguidamente, é importante perceber se os seus ciclos são regulares e qual a sua duração habitual. Isso vai condicionar a «exactidão» da data prevista. Se tiver ciclos longos, a sua ovulação será mais tardia e, como tal, a concepção terá ocorrido mais tarde e, embora pelas regras estabelecidas se mantenha a mesma data, o seu médico vai explicar-lhe que é possível que ela seja efectivamente mais tardia. O inverso ocorre se os seus ciclos são inferiores a 28 dias. Se são irregulares, o médico poderá ter de se socorrer de outros métodos para tentar encontrar de forma mais aproximada a data provável do parto, já que o momento da sua ovulação pode ser muito variável. Este é também o caso quando engravida no mês seguinte à suspensão da toma do seu contraceptivo oral («pílula») ou durante o período da amamentação.

Mediante a realização de uma ecografia na fase inicial da gravidez é possível aferir o cálculo da data provável do parto com um erro inferior a 3-4 dias. Para tal é necessário que a efectue até cerca das 16 semanas de gravidez ou, pelo menos, na primeira metade da gestação, já que, quanto mais tardia, maior poderá ser aquele erro. Assim, a medicina moderna encontrou uma forma de contornar as dificuldades encontradas nos casos referidos de dificuldade de estabelecer o momento da ovulação. Caso a ecografia revele um tempo efectivo de gestação diferente do tempo de amenorreia, haverá lugar a uma correcção da sua verdadeira idade gestacional, desde que essa diferença seja significativa. Imagine que no dia da ecografia teria 12 semanas em tempo de amenorreia, mas a avaliação do feto indica que a sua gestação tem sim 11 semanas; neste caso vai haver uma correcção da sua idade gestacional (menos uma semana) e da data provável do parto, que passará a ser afinal uma semana mais tarde!


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