Afinal, o que é isto mesmo?
Terça, 29 Dezembro 2009 | Visto - 577
Não seja apanhada de surpresa pelas palavras ou frases incomuns de que pode ouvir falar quando está à espera de bebé.
Uma gestação não é só feita de termos simples como feto, útero ou óvulo. Durante nove meses, somos bombardeados por termos e expressões que parecem saídos de um livro de ficção científica. Descubra alguns conceitos incomuns ligados à gravidez e respectiva vigilância.
Amnioscopia – Teste realizado na recta final da gravidez – quando o colo do útero se encontra suficientemente aberto –que analisa a cor do líquido amniótico para determinar o bem-estar do bebé. Um tubo oco denominado amnioscópio e com um ponto de luz é introduzido para ser possível observar o saco amniótico. Se o líquido está escuro ou sanguinolento poderá haver sofrimento fetal.
Amniocentese – Exame que tem por objectivo reconhecer uma amostra de líquido amniótico, a fim de o analisar. Na maioria das vezes, é realizado para estudar os cromossomas (cariótipo) do feto e detectar eventuais anomalias, tais como as trissomias. É efectuado a partir da 14ª semana, sob controlo ecográfico, e consiste numa punção que vai da pele da barriga à cavidade uterina. Aconselha-se a que a mulher repouse bastante nos dois dias seguintes, para prevenir complicações. As mais frequentes são pequenas contracções e, numa esmagadora minoria de casos (0,5 a um por cento) aborto por fissuração das membranas. A amniocentese é aconselhada a grávidas com 35 anos ou mais, bem como se forem detectadas anomalias na ecografia e/ou se os resultados dos exames sanguíneos deixarem antever anomalias. É também proposta no caso de antecedentes de anomalias genéticas ou cromossómicas dos pais ou na existência de um primeiro filho trissómico.
Cariótipo – É um exame que consiste em realizar, por fotografia, a classificação dos cromossomas a partir da recolha de células (provenientes do sangue, tecidos ou líquido amniótico). Os resultados põem em evidência eventuais anomalias na estrutura ou no número de cromossomas. O cariótipo é pedido quando se suspeita de uma anomalia no feto, quando a mãe tem mais de 35 anos ou quando algum membro da família tem uma anomalia irregularidade cromossómica.
Cerclage – Também designada por ciclorrafia, é um acro cirúrgico destinado a evitar um eventual parto prematuro. Onsiste em passar em torno do colo do útero um fio o fita e de o atar fortemente, para impedir que o colo se abra. É efectuada a partir dos três meses de gravidez a mulheres com antecedentes de partos muito prematuros ou modificações anatómicas no colo. Após a cerclage, a vigilância da gestação prossegue de modo normal e quando atinge o 9º mês, o fio é retirado através da vagina, permitindo a realização de um parto vaginal.
Citomegalovírus (CMV) – É um vírus que pertence à família do herpes e dá origem a uma infecção latente que, na maior parte das vezes não apresenta sintomas, mas que pode ter consequências graves para a saúde do feto. Há que prevenir o risco de transmissão – que acontece por secreções e especialmente através de crianças de tenra idade. Alguns médicos prescrevem uma análise de sangue para conhecer o estatuto imunitário da futura mãe e o controlo baseia-se na despistagem ecográfica. No caso de sinal sugestivo de infecção, é proposta a interrupção da gravidez. As boas notícias é que as anomalias devidas ao CMV são muito raras e mais de 95 por cento dos bebés de mães infectadas nascem perfeitamente saudáveis.
Contracções de Braxton Hicks – Contracções curtas e indolores do útero que ocorrem ao longo da gravidez e não afectam o colo do útero. Aparecem a partir do 7º mês e devem-se à distensão do útero, ou seja da formação, na parte inferior, duma zona mais delgada chamada segmento inferior. Caracterizam-se por um endurecimento breve, indolor e irregular da parede uterina e podem ocorrer mais de dez vezes por dia, quase como se o útero estivesse a «treinar» as contracções do parto – estas mais prolongadas, intensas e dolorosas. Nem todas as mulheres as sentem, mas podem aparecer quando estão a fazer algum tipo de actividade física, mesmo com pouco esforço. Os sinais de alarme aparecem quando as Braxton Hicks são acompanhadas de dor na parte inferior das costas; regularidade e diminuição do intervalo entre contracções; e perda de líquidos.
Descolamento da placenta - Ocorre quando a placenta se separa da parede do útero durante a gravidez ou no parto, numa desunião que pode ir de escassos milímetros até quase à totalidade. Esta situação acontece em pouquíssimas gravidezes (cerca de um por cento) e é mais frequente durante o último trimestre. Embora apenas seja possível determinar uma causa directa do problema em alguns casos, como por exemplo um traumatismo abdominal ou a existência de um cordão umbilical demasiado curto que exerça tracção sobre a placenta, constatou-se que o problema é mais comum nas mulheres com outros filhos, nas com mais de 40 anos, nas fumadoras e nas afectadas por hipertensão, diabetes ou doenças renais crónicas. A principal consequência do descolamento da placenta são as hemorragias – acompanhadas por dores abdominais – que, por vezes não ilustram a gravidade da situação, dado que muito do sangue proveniente da ruptura dos vasos pode ficar retido. Este problema pode ser muito perigoso para a mãe (devido à perda de sangue) e para o feto, já que a descolamento reduz a área de troca sanguínea, através da qual ele recebe oxigénio e nutrientes. É recomendado o repouso absoluto às grávidas com um deslocamento pequeno e parcial da placenta, para que a situação não se agrave e a gestação possa prosseguir até quando for possível.
Gonadotrofina coriónica humana – Esta hormona, libertada pela placenta em desenvolvimento quando esta começa a implantar-se no útero, é geralmente conhecida por ‘hormona da gravidez’, porque é ela que é despistada pelos testes de gravidez, mesmo antes da falta do período. A GCH é muito importante porque desencadeia outra actividade hormonal necessária para manter a gravidez e evitar que a menstruação aconteça. A sua concentração aumenta rapidamente no sangue e duplica de 48 em 48 horas, para atingir um pico entre a 10ª e a 12ª semanas. Em seguida, baixa e estabiliza até ao parto, desaparecendo uma semana após o parto.Pensa-se que a CHG seja parcialmente responsável pelas náuseas e vómitos que se manifestam no primeiro semestre.
Hidrâmnios – Este termo designa o excesso de líquido amniótico, situação em que o principal risco é o parto prematuro. Na maior parte das vezes declara-se progressivamente na segunda metade da gravidez e os sinais mais visíveis são o volume excessivo do útero, tensão dolorosa do abdómen e dificuldade respiratória. As causas podem estar ligadas à mãe – diabetes gestacional ou uma gravidez múltipla – ou ao feto, que pode apresentar perturbações na deglutição do líquido amniótico. Para além da medição mais regular da altura uterina e do perímetro umbilical, o tratamento é baseado no repouso e, eventualmente, em punções do líquido amniótico.
Leucorreia – É um motivo muito frequente para idas ao médico. Trata-se do corrimento não sanguinolento pela vagina que pode ser consequência de uma infecção ou então perfeitamente normal. A última é a eliminação de secreções naturais da vagina e do colo do útero. Têm aspecto esbranquiçado, são inodoras e não envolvem qualquer sintoma. Podem tornar-se muito abundantes devido à acidificação da vagina, mas não necessitam de quaisquer tratamentos. Já a leucorreia de origem infecciosa é normalmente devida à presença do fungo «candida albicans». È uma situação benigna, sem consequências para o bebé, mas que pode tornar-se muito incómoda, dado que os corrimentos brancos e espessos são acompanhados de prurido intenso e ardor ao urinar. O tratamento assenta na higiene, lavagem íntima simples e aplicações locais de medicamentos anti-fungicos. É importante que a natureza da infecção seja sempre determinada, uma vez que algumas podem enfraquecer as membranas amnióticas ou contaminar o bebé quando este passar pela vagina, durante o parto.
Mórula – O agrupamento de 12 a 16 células que se desenvolve a partir de um óvulo fecundado durante a sua jornada através da trompa de Falópio, descendo até ao útero. Assemelha-se a uma esfera cheia com a forma de uma pequena amora – ‘morula’ em latim – que, pouco depois, cria uma cavidade central, tomando então o nome de blatocisto.
Multípara – É a mulher que teve já mais do que um parto. Diz-se nulípara se nunca pariu, primípara se se trata do primeiro parto e grande multípara se teve mais do que um parto. A multiparidade é um elemento muito favorável para o desenrolar da gravidez e do parto, enquanto na grande multiparidade o risco de complicações tem tendência para aumentar.
Oligoâmnios – É a designação de líquido amniótico insuficiente para determinado estádio da gravidez. Pode ser devido a uma malformação dos rins ou do sistema urinário do feto, impedindo-o de urinar normalmente. Por outro lado, é possível relacioná-los com sofrimento fetal (quando a gravidez ultrapassa o termo normal) ou à rotura prematura das membranas. Isto significa que o cálculo de redução do líquido amniótico é um elemento muito importante no acompanhamento da gravidez. A quantidade de líquido amniótico depende também do estado de hidratação da mãe, que se reflecte imediatamente no feto.
Pré-eclampsia – Esta complicação da gravidez associa a hipertensão arterial, a albuminúria e a retenção de água nos tecidos, provocando um excessivo aumento de peso. De origens ainda não totalmente conhecidas, acontece em cerca de cinco por cento das gestações e afecta mais as mulheres grávidas pela primeira vez, diabéticas, obesas e com menos de 18 anos ou mais de 40. Pode ser responsável pelo atraso no crescimento do feto e morte no útero. Na mãe existe a hipótese de agravamento da tensão arterial susceptível de causar efeitos mos rins, fígado e cérebro. A pré-eclampsia exige vigilância rigorosa e pode ser necessária a hospitalização. O tratamento consiste em fazer baixar a tensão, através de repouso ou terapia medicamentosa. Se não for tratada, a pré-eclampsia pode degenerar na eclampsia: convulsões repetidas associadas a um coma que pode ser fatal para a mãe e para o bebé. Depois do parto, é tempo de respirar fundo: tudo volta ao normal espontaneamente e não existem riscos acrescidos de nova pré-eclampsia numa gestação seguinte.
Rastreio pré-natal – Avalia, em conjunto, os resultados de duas análises bioquímicas ao sangue materno – uma realizada entre as 10 e as 13 semanas e outra entre as 15 e as 16 semanas -, os dados da ecografia das 11 semanas (principalmente a medição da translucência da nuca) e a idade materna. Assim, é possível calcular o risco de ter um bebé afectado por trissomias ou defeitos do tubo neural, tais como a espinha bífida. O risco é revelado por volta das 16 semanas e se for igual ou superior a 1/250 considera-se o resultado positivo. Isto significa que uma em cada 250 grávidas com iguais valores tem um bebé com trissomia 21. Nestes casos, a mulher é aconselhada a fazer uma amniocentese: em cerca de cinco por cento os resultados são negativos, o que significa que o rastreio pré-natal foi um ‘falso positivo’.
Vilosidades coriónicas – São as estruturas que compõem a placenta. Durante a gravidez, pode ser proposta à mulher, a partir das 11 semanas, a realização de uma biopsia a estes tecidos, também conhecida por biopsia do trofoblasto. O exame serve para determinar como são os cromossomas do bebé, uma vez que a placenta e o feto são originários da mesma célula. Durante o exame – realizado sob anestesia local e sempre sob vigilância ao bem-estar do bebé – é introduzida uma fina agulha que retira uma pequeníssima amostra de placenta. Embora seja aconselhada atenção a sinais como dores intensas, hemorragias intensas ou febre, a grávida pode retomar a sua vida normal logo que o exame terminar. É normal que nos primeiros dias ocorram dores semelhantes às da menstruação e uma pequena perda de sangue, que, na esmagadora maioria dos casos (99 por cento) não influi no normal desenvolvimento da gravidez.
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