Irmãos: mesmo quarto ou quartos diferentes
Escrito por Mário Cordeiro Quinta, 15 Setembro 2011 | Visto - 3920
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Mesmo sendo «cão e gato», o que é normal e saudável, a noite é um bom momento para sentirem a proximidade um do outro.
«O que é que acha?» – perguntou o pai do Rui e do Vasco, de 4 e 2 anos respectivamente – «vamos mudar de casa e agora temos um quarto para cada um. Estamos em dúvida se devemos pôr cada um no seu quarto ou deixá-los no mesmo».
«A minha opinião» – respondi – é que é muito saudável os irmãos estarem juntos, mesmo se não fossem do mesmo sexo, até mais tarde, quando eles próprios, de uma maneira já consistente, disserem que não querem. Estarem juntos aumenta a proximidade, a companhia e a cumplicidade da relação fraternal.»
«O pequenino às vezes ainda acorda» – disse a mãe.
«Vai ver que o Rui nem dá por isso. E provavelmente, isso vai acontecer menos».
«Acho que vamos fazer isso. E assim ganham um quarto de brincadeiras em vez de terem dois quartos de dormir e fazerem bagunça em dois lados» – rematou a mãe.
Regras não há...
Não há regras nem soluções à partida garantidas. Mas, pelo menos até ver, é melhor optar por ter as crianças no mesmo quarto. A relação fraternal tem diversas facetas e uma delas é a cumplicidade e a securização. Basta ver o ar desasado de um deles quando o outro vai passar o fim de semana com alguém. Mesmo sendo «cão e gato», o que é normal e saudável, a noite é um bom momento para sentirem a proximidade um do outro.
A menos que a diferença de idade seja muito grande (mais de dez anos), é bom estarem juntos até ao dia em que um deles, de forma consistente e não meramente episódica, declare que quer ter o seu quarto.
É claro que os pais, depois de os deitarem, terão que estar preparados para risos e gargalhadas que virão do quarto das crianças. É muito bom e talvez das coisas mais engraçadas, se bem que o nosso papel tenha que ser de lhe enviar um «Schiiiiiiiiu!» ou um «Durmam!». E eles continuam, mas acabam por adormecer em tranquilidade. Outras vezes podem respingar: «O Zé está na minha cama!». Mais uma vez, a intervenção dos pais impõe-se, mas sempre comedida e mais como uma «sirene de aviso».
Ganhar um quarto de brincadeiras é bom também porque permitirá organizar o espaço conforme a idade e a actividade (trabalho manual, brincadeira livre, casinhas, etc), poupando também a sala e o espaço dos pais às invasões de brinquedos e de barulho.
O quarto das crianças
O desafio principal para um quarto de crianças é criar um ambiente divertido durante o dia e favorecedor de um sono profundo e reparador durante a noite. Tenha em consideração os seguintes aspectos:
Localização: Devem receber a luz de nascente, de forma a absorver a energia ascendente do sol. Oeste (poente), é uma boa orientação para crianças muito activas;
Iluminação: As luzes devem ser focos virados para cima, com uma iluminação global e bem distribuída. Devem-se evitar candeeiros em metal, que conduzem de forma acentuada a energia electromagnética e a electricidade estática. A luz tem de ser suficiente para a criança ver os brinquedos, nomeadamente quando está a brincar no chão, mas que permita redução à hora do deitar. Uma luz de presença pode ser uma boa companhia, mais pela referência que representa do que pela iluminação que produz;
Soalho: Evitar alcatifas, dada a acumulação de pó e de ácaros, bolores, etc. O soalho em madeira é o mais saudável e o mais fácil de limpar.
Cor das paredes: Os tons de azul (não demasiado escuros) são particularmente bons.
Mobília: Se possível devem ter cores vivas e os cantos arredondados, para diminuir o risco de acidente. Ambos ajudam a criar uma atmosfera harmoniosa;
Camas: Se houver mais do que uma criança no mesmo quarto, é importante que durmam com a cabeça virada para o mesmo lado – de preferência norte; a cabeceira deve estar encostada a uma parede e as camas devem ser em madeira. Não se devem deixar as camas por fazer durante o dia e, se possível, evitar arrumar coisas debaixo da cama porque só serve para acumular tralha, pó e sujidade;
Tecidos: Não utilizar lençóis ou fronhas de almofada em material sintético, apenas de algodão. Os cobertores devem também ser de materiais naturais. O colchão, se em algodão maciço, permite que o sono seja mais reparador e que a transpiração se dê uma forma adequada.
Guarda-brinquedos: Colocar caixas (de madeira), de forma a que a criança aí guarde todos os brinquedos antes de dormir, de forma organizada.
A evitar
Tendo em conta toda a actividade electromagnética geodésica e as perturbações que a acção humana pode induzir, não será mau tomar precauções:
• Material eléctrico e electrónico - é essencial que a criança não durma perto duma aparelhagem; as colunas de som contêm um íman que altera e o campo electromagnético; se houver um computador, televisão ou aparelhagem o melhor é desligá-los na tomada;
• Cabeceiras - não se deve colocar a cabeceira da cama debaixo de uma janela, pois cria energia muito activa;
• Portas abertas - durante a noite, o ideal é fechar a porta do quarto, assim como as cortinas, acalmando o fluxo de energia e favorecendo um sono profundo, a menos que a criança reclame por sentir medo. .
O que fazer quando a criança acorda com um «sonho mau»?
Ao contrário de um terror nocturno, a criança acorda mesmo e está assustada. E muitas vezes até se consegue lembrar do sonho – se era uma cobra ou outro bicho que a perseguia, se imaginou que os pais tinham desaparecido.
É importante a presença dos pais para testemunhar que «tudo não passou de um pesadelo». E isso tem que ser dito mas, sobretudo, mostrado afectivamente, com abraços e colinho. Só assim, através do mimo, a criança consegue libertar-se do medo e perceber que, afinal, está em sua casa. A voz tranquila da mãe ou do pai ajudam muito, mas para isso não podem estar a pensar neles, na noite interrompida, no trabalho do dia seguinte ou que já não vão dormir essa noite. Para quem acorda com medo e se acha no meio de um filme de terror, ouvir vozes alteradas, culpabilizadoras e irritadas não ajuda muito.
Se nós, adultos, quando acordamos a meio da noite com um pesadelo, demoramos algum tempo a nos situarmos, e mesmo assim com o coração «aos pulos», que dizer então de uma criança pequena?
Às vezes é preciso fazer uma vistoria ao quarto, para ajudar o nosso filho a entender que não está lá nenhum monstro escondido debaixo da cama ou dentro das armários.
E finalmente, dizer-lhe taxativamente: tiveste um sonho mau, mas foi só um sonho. Agora vamos lá voltar a dormir e sonhar com coisas bonitas. Diz-me uma coisa bonita e vamos começar». E pegando em algo que a criança diga – e servindo-se também do objecto transicional e de heróis da sua vida (Noddy, Ruca, Bob e outros), começar a mostrar, através de uma história, que eles estão ali e que tudo a partir desse momento até vai ser bem divertido.
Tudo foi como um engano na projecção do filme: colocaram a bobina de um filme de terror, mas agora já mudaram para um filme romântico ou uma comédia.




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