Mário Cordeiro

 

Adolescer em tempos de crise

Escrito por Mário Cordeiro Sexta, 10 Agosto 2012 | Visto - 2755


O pediatra Mario Cordeiro desafia os pais a abandonarem discurso negativo.


 

Doenças de verão

Escrito por Mário Cordeiro, pediatra Quarta, 25 Julho 2012 | Visto - 2353

O pediatra Mário Cordeiro fala das doenças mais comuns no verão.


   

Parvoíces e disparates

Escrito por Pais&filhos Segunda, 23 Julho 2012 | Visto - 6071

O pediatra Mário Cordeiro alerta para os erros nas rotinas clinicas.


   

O desenvolvimento da sexualidade infantil

Escrito por Mário Cordeiro, professor de Pediatria Quarta, 18 Julho 2012 | Visto - 29805

   

Sorrir, andar, ver, ouvir, falar...

Escrito por Mário Cordeiro, pediatra Terça, 22 Maio 2012 | Visto - 3932

O desenvolvimento do bebé dos zero aos dois anos.


   

Vamos ter um bebé?

Escrito por Mário Cordeiro Segunda, 23 Abril 2012 | Visto - 4285

«Francamente, não percebo que raio de ideia lhes deu para terem outro filho! Imagina que o João e a Francisca resolveram ter mais um. Devem ser loucos. Já? Mas não acham que ano e meio de intervalo é pouco? Eu, se fosse a vocês...»  Eu se fosse a vocês...


   

As linhas de alta tensão e a saúde das crianças

Escrito por Mário Cordeiro Quarta, 21 Março 2012 | Visto - 3743

Há alguns dias, uns pais pediram-me a opinião sobre a compra de uma casa, com excelentes condições, mas que estava debaixo de uma linha de alta tensão. Estavam em dúvida – gostavam da casa mas a linha gerava inquietação. Não existem certezas, mas há que pensar um pouco no problema. Aproveito para partilhar convosco algumas destas reflexões.

   

Chegou a primavera!

Escrito por Mário Cordeiro Quarta, 21 Março 2012 | Visto - 1158

E com ela algumas questões muito importantes.


   

Lavar as Mãos

Escrito por Mário Cordeiro Segunda, 09 Janeiro 2012 | Visto - 2070

Talvez seja a maior medida na prevenção das infeções. Mas para ser efetiva, uma correta lavagem das mãos deve ser ensinada com tempo e calma.


A lavagem das mãos por rotina, como gesto de prevenção das infecções, foi iniciada por um professor de medicina austríaco, Ignaz Semmelweis, em 1847. Este cientista observou que os estudantes de medicina não lavavam as mãos entre as aulas de anatomia, onde dissecavam cadáveres, e as aulas na maternidade, onde executavam exames vaginais e partos. A taxa de mortalidade na enfermaria onde os estudantes treinavam era consideravelmente mais alta do que noutra onde trabalhavam parteiras que não iam à sala de autópsias. Com a instituição da obrigatoriedade de lavagem de mãos antes de os estudantes observarem as puérperas, a taxa de mortalidade foi reduzida em aproximadamente 90 por cento. O exemplo do procedimento de Semmelweiss é fundamental e constituiu o primeiro marco no controlo das infecções, não apenas nos cuidados de saúde hospitalares, mas também na saúde pública em geral.

A lavagem de mãos é reconhecida na comunidade, escolas, jardins-de-infância e estabelecimentos alimentares como um dos mais eficientes métodos de prevenção de doenças. Entre elas destacam-se a diarreia infecciosa e outras perturbações gastrointestinais, hepatite A, infecções respiratórias, como a constipação, a gripe e a pneumonia, assim como conjuntivite e a meningite meningocócica.


AS MÃOS E AS BACTÉRIAS

Nas mãos há bactérias «residentes», que existem nas camadas profundas da pele e no interior dos folículos pilosos, e que têm funções importantes na prevenção da colonização com outras bactérias que podem causar danos. Estas bactérias residentes raramente causam doenças, a não ser que sejam introduzidas traumaticamente nos tecidos, ultrapassando as barreiras naturais. Não são removidas com a lavagem simples das mãos, sendo necessário recorrer à ação química de um antisséptico.

Os micróbios transitórios são adquiridos através do contacto da criança com o ambiente. Têm um tempo de sobrevivência curto mas um elevado potencial para causar doença, sendo facilmente transmitidos por contacto físico. Podem ser rapidamente removidos por lavagem das mãos com fricção mecânica e sabão ou ser destruídos por aplicação de um antisséptico. Portanto, a lavagem das mãos com água e sabão remove a flora transitória, mas não mata a flora residente, que é o que se deseja no dia-a-dia e em nossas casas e infantários. Uma lavagem das mãos bem-feita, e nos momentos em que deve ser, poderá impedir três dos principais modos de transmissão de doenças: fecal-oral, contato indireto com secreções respiratórias e contacto direto com fluidos corporais. Nestes tipos de transmissão englobam-se praticamente todas as doenças que os nossos filhos têm no dia-a-dia.


COMO LAVAR ADEQUADAMENTE AS MÃOS

Nem sempre é possível seguir todos os passos que abaixo indico. No entanto, há que fazer esforços para que a lavagem das mãos seja tendencialmente bem-feita. Estas são normas internacionais e uma coisa é certa: quanto mais nos aproximarmos deste padrão e o introduzirmos na prática dos nossos filhos, menos infeções eles terão.


Uma lavagem correta das mãos deve cumprir os seguintes passos:


1. verificar se existe papel de secagem das mãos;

2. colocar a água a uma temperatura confortável (≥ 15ºC e ≤ 45ºC);

3. molhar as mãos com água e aplicar sabão; 4. esfregar as mãos vigorosamente até aparecer espuma e continuar durante pelo menos 10 segundos. Esfregar as mãos entre os dedos, leitos das unhas, debaixo das unhas e na palma das mãos;

5. passar as mãos pela água corrente quente a uma temperatura confortável (mais de 15ºC e menor 45ºC), até estarem livres de sabão e sujidade. Deixar a água correr enquanto se vai secar as mãos;

6. secar as mãos com papel disponível ou toalha de uso único limpa;

7. se a torneira não fecha automaticamente ou se não tem mecanismo de fechar com o braço, fechar envolvendo as mãos com o papel ou toalha;

8. colocar o papel no contentor do lixo ou a toalha no cesto da roupa. Usar loção de mãos hidratante, se necessário, para prevenir a formação de fissuras na pele.


Cada um destes passos é importante. A água corrente remove os detritos, incluindo os microorganismos que causam as infecções. Molhar as mãos antes de colocar sabão ajuda a criar uma espuma que destaca mais facilmente os detritos. Passar a espuma por água remove a sujidade das mãos que estava em solução. Usar água à temperatura referida, apesar de não ser essencial à remoção de microrganismos torna a lavagem mais fácil, pois é mais confortável do que água fria.


Os sabões mais suaves provocam menos secura mas também lavam pior. Digamos que, na maioria das situações, não será necessário um sabão mais forte. Contudo, quando a criança mexe em excrementos de animais, em terra ou em qualquer produto que possa estar infectado, a lavagem terá que ser feita com um sabonete mais agressivo, mesmo que a pele fi que mais seca – utilizar-se-á depois um creme hidratante, para compensar.


Nos infantários e jardins infantis (e até em casa) é desejável o uso de sabão líquido pois embora o sabão sólido, por si, não esteja implicado na transmissão de bactérias, ao ficar emerso em água – seja na saboneteira, seja no lavatório – pode ficar contaminado com pseudomonas e outras bactérias, para além de muitas crianças não terem destreza para o manusear.



SECAR AS MÃOS


É fundamental secar bem as mãos, por várias razões:

● ajuda a prevenir as fissuras das pele;

● reduz a contaminação das mãos (as mãos molhadas contaminam-se mais facilmente);

● remove algumas bactérias e vírus.

Vários estudos foram efectuados para verificar os graus de eficiência de diferentes agentes de secagem na redução de batérias e vírus. Por ordem decrescente de eficiência situam-se: secador eléctrico, rolo de papel e por último o rolo de toalha. Os secadores

elétricos das mãos não devem ser usados pelas seguintes razões: muitas pessoas não secam as mãos adequadamente, acabando de secar na roupa, onde apanham mais bactérias; os próprios secadores podem acumular bactérias e servir para as depositar nas mãos.



QUANDO SE DEVE LAVAR AS MÃOS

1. antes de preparar uma refeição ou de comer;

2. após ida à casa de banho;

3. após mudar as fraldas ou limpar uma criança que foi à casa

de banho;

4. depois e antes de estabelecer contacto directo com uma pessoa que esteja doente;

5. depois de assoar, tossir ou espirrar;

6. depois de mexer num animal ou detrito animal;

7. depois de mexer no lixo;

8. depois e antes de tratar de um corte ou ferida;

9. após a chegada ao trabalho/escola ou quando se muda de um grupo de pessoas para outro;

10. depois e antes de dar medicação e brincar na água usada por mais de uma pessoa;

11. depois de brincar em caixas de areia. É muito importante também lavar as mãos depois de comer, especialmente as crianças que comem com as mãos, de modo a diminuir a quantidade de saliva nas mãos, a qual pode conter microorganismos.


EXCEPÇÃO

Os toalhetes de limpeza não limpam eficientemente as mãos, não devendo pois ser usados como alternativa à lavagem, mas apenas quando forem mesmo necessários e de modo temporário.


COMO ENSINAR A LAVAR AS MÃOS E INCUTIR O HÁBITO?

A lavagem das mãos é um comportamento aprendido. Para ser efetiva, uma correta lavagem das mãos deve ser ensinada, com tempo e calma, tal como a escovagem dos dentes ou qualquer outro comportamento que necessite de aprendizagem de regras, passos, rigor e exercitação. É bom que, paralelamente a uma aprendizagem das regras de lavagem, por forma a que sejam instintivas, se faça também ver às crianças que não se trata de um «frete» a fazer aos pais, ou um bilhete para poder ir para a mesa, mas sim uma rotina diária que deverá manter ao longo da vida. É bom que os pais expliquem que há pele, unhas, bactérias que se escondem, bactérias «boazinhas» que sofrem se as «más» puderem crescer, e tantas outras brincadeiras do «Senhor Sabão» e da «Dona Água». As noções de «quando», «como» e «porquê» da lavagem das mãos devem ser ensinados desde cedo e fazer parte de uma educação continuada e responsável. O exemplo dos pais é muito importante, e pais que não lavam as mãos ou que as lavam a correr não conseguirão incutir esse hábito nas crianças. Os padrões de comportamento de lavagem de mãos começam a ser interiorizados com a educação para a utilização da sanita e consolidam-se por volta dos 9-10 anos. O comportamento ritualizado de  reação à  sensação de repugnância gerada pela sujidade das mãos é interpretado como um mecanismo de autodefesa contra a infecção. É, contudo, subjetivo e insuficiente para a manutenção de níveis óptimos de proteção contra os agentes microbianos. Desta forma, o comportamento de higiene das mãos revela-se em dois tipos: o inerente (em reação à sensação de sujidade) e o eletivo (não associado à sensação de sujidade). Este último, que pode ser exemplificado com a lavagem das mãos após o contacto com uma pessoa doente, encontra-se menos enraizado na população. Inicialmente, a aprendizagem deve ser feita pelos pais ou encarregados de educação. Numa fase posterior intervêm também os infantários e jardins infantis, os professores e os colegas.



CRIANÇAS CONHECEM A TEORIA, MAS NÃO A PRATICAM

Um estudo de observação realizado numa escola de Lisboa, em 2007, revelou que cerca de 84 por cento dos alunos (do 5º, 6º e 7º ano) não lavaram as mãos antes do almoço e que depois de utilizarem os sanitários apenas 34 por cento as lavaram. Isto apesar de a escola em questão ter todas as condições para uma lavagem de mãos correta.

Curiosamente, verificou-se uma discordância entre a prática e o que os alunos, num questionário, responderam – os comportamentos fi cavam muito aquém da teoria. O estudo também registou uma identificação de melhores práticas para si próprio do que para os outros colegas. Este estudo mostrou que não bastam os conhecimentos teóricos corretos, sendo preciso uma interiorização dos hábitos através da prática diária – e isso tem que ser feito muito antes da idade escolar, em casa e nos infantários.


Fonte: Almeida M, Certal V, Klut C, Mota C, Picoto

M e Cordeiro M, 2007

Departamento de Saúde Pública – Faculdade de

Ciências Médicas de Lisboa

Lavar as Mãos



   

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