Tudo sobre a placenta

alt

A placenta acompanha o bebé desde o primeiro ao último dia de gravidez. Alimenta, oxigena, filtra, produz hormonas. É uma espécie de fábrica, em funcionamento 24 horas por dia. Mas também pode ter falhas.


Funções
A placenta forma-se ao mesmo tempo que o embrião e une-se à mãe colando-se à parede uterina e ao bebé pelo cordão umbilical. Entre a 18ª e a 20ª semana, a placenta está completamente formada. Muito maior do que o bebé nesta fase, assemelha-se a um disco espesso que vai continuar a crescer ao longo dos meses, ainda que a um ritmo muito mais lento. É através da placenta que acontecem as trocas entre a mãe o bebé (de alimentos e de oxigénio). É também a placenta que produz hormonas essenciais para o desenvolvimento da gestação, tais como a progesterona, o estrogénio, a hormona lactogénia placentária humana (HLP), que estimula as glândulas mamárias, e a gonadotrofina coriónica humana (hCG) , cuja presença é revelada no teste de gravidez.
A placenta tem ainda como função servir de filtro, ou seja, proteger o bebé de bactérias, vírus e outras substâncias perigosas que possam vir do exterior. No entanto, não consegue filtrar tudo e há inúmeras substâncias que atravessam a placenta e atingem o bebé.  

Possíveis complicações

Hemorragia placentária marginal
Por vezes, durante a gravidez, pode ocorrer uma rutura de um dos pequenos vasos sanguíneos da margem da placenta, provocando uma pequena hemorragia vaginal. Geralmente, não é grave. Pode formar-se um coágulo no útero e resultar numa perda vaginal acastanhada durante alguns dias. Também pode doer, já que o sangue irrita o útero e provoca contrações ligeiras. Ainda assim, não é grave. Na maioria dos casos, não há razão para alarme, recomendando-se apenas algum repouso e observação durante os dias seguintes.

Placenta prévia (ou descaída)

Habitualmente a placenta está localizada no fundo do útero, depois do feto. Quando a placenta é prévia quer dizer que está antes do bebé, a tapar o orifício cervical, ou seja, impedindo a sua saída. É indolor e o diagnóstico faz-se através de uma ecografia de rotina ou na sequência de uma hemorragia vaginal.

Em muitos casos, à medida que a gravidez evolui, a placenta desloca-se para cima e deixa de ser um problema. Em cerca de 40 por cento das placentas consideradas prévias por volta das 20 ou 22 semanas, apenas uma a quatro por cento serão prévias no termo da gravidez. Se assim for, o parto pode ser vaginal. Se a placenta se mantiver a obstruir parte ou a totalidade da abertura cervical – acontece uma vez em cada 200 gravidezes – o parto terá de ser cesariana.
Durante a gravidez, o tratamento resume-se a repouso total, pois estando naquela zona, a placenta pode provocar grandes hemorragias e acelerar o início do trabalho de parto, levando a um bebé prematuro. A grávida pode ter de ser hospitalizada, para garantir uma monitorização apertada do bem-estar fetal e garantir o repouso necessário. Nos casos em que a grávida tem condições para estar em casa sem necessidade de sair da cama e pode chegar facilmente ao hospital se houver nova hemorragia, pode passar o resto da gravidez em casa.
A placenta prévia exige ainda outros cuidados: não são permitidas relações sexuais às grávidas com esta condição e os exames e os toques vaginais estão também proibidos.

Existem vários tipos de placenta prévia:
Placenta prévia total – quando o orifício cervical interno (OCI) se encontra totalmente coberto pela placenta.
Placenta prévia parcial – quando o OCI está parcialmente coberto pela placenta.
Placenta prévia marginal – quando parte da placenta está implantada na margem do OCI, mas sem o cobrir. Este é o único tipo de placenta prévia que pode permitir um parto vaginal.
Placenta baixamente inserida, placenta baixa ou placenta prévia lateral  – a placenta está implantada na parte mais baixa do útero, mas a sua extremidade não atinge o OCI. Não tem   tem riscos para a mãe ou para o bebé.

Descolamento da placenta
Acontece quando a placenta ou parte dela se separa da parede uterina durante a gravidez. Ocorre em um por cento das gravidezes e é mais frequente no último trimestre.
Pode manifestar-se por hemorragia vaginal, dor abdominal ou dor à palpação da cavidade uterina. Além de outras causas (às vezes, nem é possível identificar a causa), pode dar-se na sequência de um acidente ou queda, mesmo que só se manifeste 24 a 48 horas depois.
Se o descolamento for pequeno, é recomendado repouso absoluto à grávida para deter as hemorragias, assim como uma observação clínica mais apertada. Às vezes, a grávida pode voltar à vida normal após uns dias, noutros casos terá de ficar o resto da gravidez na cama.Quando o descolamento é maior, a gravidez fica em risco. Pode ser necessário efetuar o parto imediatamente para proteger o bebé, que deixa de ter acesso a oxigénio e nutrientes, e a mãe, que corre o risco de hemorragia grande.
O parto pode ser por via vaginal, se a grávida estiver estável, o feto também e o útero apresentar um tónus normal. Caso contrário, o parto terá de ser cesariana.


Placenta envelhecida
A placenta pode ser classificada em quatro níveis conforme a sua calcificação, ou seja, conforme o seu estado de envelhecimento. O normal é que no primeiro trimestre de gravidez, a placenta esteja no grau 0, o que quer dizer que apresenta uma textura homogénea. No segundo trimestre, a placenta costuma apresentar o grau I – algumas calcificações e textura ondulada. No último mês de gestação, a placenta atinge o grau II, que significa uma calcificação já bastante acentuada, mas que se considera dentro dos parâmetros normais.
Poucas placentas chegam à fase de termo da gravidez no grau III, em que a calcificação é generalizada, dando a impressão de haver um anel à sua volta. Se for a partir das 35 semanas, não há motivo para preocupações.
Às vezes, embora raramente, a placenta pode ganhar calcificações precocemente e deixar de cumprir as suas funções. Sem os nutrientes necessários, o bebé pode ter um crescimento e desenvolvimento mais lento. Se o crescimento do bebé ficar comprometido é razão para antecipar o parto.
O envelhecimento precoce da placenta pode estar relacionado com tabagismo, hipertensão arterial, diabetes ou outras infeções, mas também pode ter origem desconhecida.


Placenta acreta

Diz-se quando a placenta se desenvolve anormalmente para dentro das camadas mais profundas da parede do útero e aí se fixa firmemente. É uma condição muito rara.
Geralmente, só é identificada no momento da dequitadura. No parto, aumenta o risco de hemorragia, uma vez que a placenta não se descola facilmente da parede uterina. Na maioria dos casos, tem de ser removida cirurgicamente. Se a hemorragia for difícil de controlar, o útero poderá ter de ser extraído.
A placenta pode ainda designar-se increta, quando penetra mais profundamente no miométrio. E percreta, quando a penetração é ainda mais profunda, envolvendo toda a espessura do miométrio.

A placenta no parto
Dequitadura
Depois de o bebé nascer, é preciso expulsar a placenta. A este período dá-se o nome de dequitadura. Habitualmente, a placenta sai nos 15 minutos a seguir ao parto, mas às vezes pode demorar um pouco mais. Após um parto fisiológico (natural), as contrações continuam (embora mais leves) e ajudam a expulsar a placenta naturalmente. Noutros casos, pode ser necessária ajuda, como massagens no útero, administração de ocitocina ou mesmo “puxar” pelo cordão umbilical. Pôr o bebé à mama estimula a ocitocina natural e contribui de forma natural para acelerar a saída da placenta.

Placenta retida
ou retenção de tecido placentário
Muito raramente, após o parto, a placenta ou restos da placenta ficam no útero, mesmo depois de já se ter descolado espontaneamente. Acontece porque as contrações não são suficientemente fortes para expelir a placenta.
Para a remover, o obstetra necessita de palpar o útero por dentro e de a retirar manualmente. No caso de ser a totalidade da placenta a ficar retida, pode originar uma hemorragia pós-parto imediata, enquanto a retenção de fragmentos placentários leva mais frequentemente a hemorragia pós-parto tardia.


O que fazer com a placenta

Se teve um parto hospitalar, a placenta é considerada lixo hospitalar e o seu destino é precisamente o lixo. Mas, hoje em dia, algumas mulheres já começam a pedir para trazer a placenta para casa, pois acreditam que um órgão tão importante no crescimento de um bebé é rico em vários nutrientes e pode ter um destino mais útil e interessante.  Existem laboratórios que transformam a placenta em comprimidos para as mães tomarem no pós-parto. Outras mães, preferem cozinhá-la e comê-la (placentofagia). Há ainda quem opte por enterrá-la debaixo de uma planta ou árvore, para que os seus nutrientes enriqueçam a terra. E quem, simplesmente, a use como “carimbo” numa folha branca para ficar com o desenho, que se assemelha a uma árvore, como recordação. Mesmo que não queira fazer nada com a placenta, pode sempre pedir para vê-la e assim admirar a fábrica que ajudou o seu filho a crescer.

Comentar

Código de segurança
Actualizar

Editorial.

Três notas

alt

Setembro é mês de regressar às aulas, mas também de retomar rotinas, reorganizar horários, cortar o cabelo, destralhar a casa, trocar...

Consultório

 "O meu filho, que fez recentemente quatro anos, vive intensamente esta altura do ano. Ainda acredita no Pai Natal e acha que é ele quem lhe traz as prendas. Ainda...

Leia Mais