Gravidez: 9 meses de mudanças

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Ao longo de 40 semanas, um novo ser vai formar-se e preparar-se para nascer, numa viagem que tem tanto de maravilhoso como de avassalador. Fique a saber como evolui a gravidez e como cresce o seu bebé. Mês a mês.


Tudo começa com a fecundação e, apesar de ainda não saber que está grávida, uma enorme revolução já está a acontecer no seu útero. Daí até ao parto, passam em média 40 semanas de emoções, ansiedade e muita expectativa.

1º MÊS
Bebé – Com a fertilização começa a incrível viagem: a divisão celular tem início pouco tempo depois do espermatozoide se unir ao óvulo, dando origem a um novo e único ser, que nesta altura é designado por zigoto. Toda a informação genética necessária ao seu desenvolvimento já lá se encontra (cravada nos 46 cromossomas, 23 herdados da mãe e 23 do pai), desde o tom de pele, à cor do cabelo e a altura, assim como a sua aptidão para a música ou para os computadores! Assim que começa a divisão celular, tem início a fase embrionária, durante a qual se desenvolvem as características morfológicas. Por volta da quarta semana, surgem os primeiros batimentos cardíacos. Braços, pernas, olhos, orelhas, nariz e boca começam a ganhar forma. No final deste mês, o embrião é do tamanho de uma semente de maçã.

Mãe – Ainda sem suspeitas de que possa estar grávida, o corpo da mulher vai reagir à presença do embrião em desenvolvimento com alterações hormonais. O resultado destas alterações é a ausência de menstruação. O período vai faltar e a expectativa aumenta. Está na hora de fazer o teste de gravidez.

2º MÊS

Bebé – O embrião cresce a um ritmo impressionante, mas ainda assim é pouco maior do que uma ervilha. Mãos e pés começam a ganhar forma. As células nervosas multiplicam-se a uma velocidade estonteante: 100 mil novos neurónios por minuto. Nesta altura, já é possível detetar atividade cerebral.  O coração bate cerca de 150 vezes por minuto (o dobro do que acontece no adulto) e vai manter-se assim até ao parto. A circulação sanguínea já está bem estabelecida e começam a desenvolver-se alguns órgãos: fígado, pulmões e estômago. Na ecografia já é possível perceber como está bem desenvolvido. Os genitais já estão presentes, mas é impossível distingui-los nesta fase. No final do segundo mês, a maioria dos órgãos está formada (embora necessitem de mais tempo para amadurecer). O embrião é agora do tamanho de uma framboesa.

Mãe – Bem-vinda ao clube das grávidas!  Agora que já sabe que está gravida, é natural que comece a dar conta de alguns sintomas: cansaço, peito inchado, sensível e doloroso, enjoos matinais… São as hormonas da gravidez a dar sinal. Algumas mulheres apresentam apenas sintomas ligeiros, mas para outras os enjoos podem ser muito debilitantes. O pico dos enjoos costuma ocorrer por volta da nona semana de gestação e depois tem tendência a melhorar.

3º MÊS
Bebé – O embrião cresceu e agora recebe outro nome: feto. Isto significa que está cada vez mais parecido com um bebé, embora ainda tenha o tamanho de um morango. Já sorri e faz caretas e até pratica a “respiração”, inspirando e expirando pequenas quantidades de líquido amniótico. Tem 20 dentes já formados, dentro das gengivas. Está super ativo, mas ainda não é possível sentir os seus movimentos. O cérebro continua a desenvolver-se a um ritmo impressionante: 250 mil neurónios são formados a cada minuto. Entre a 11ª e a 14ª semana realiza-se uma das três ecografias “obrigatórias”, na qual se avalia a anatomia fetal e se despista a possibilidade de existirem anomalias cromossómicas. A ausência ou presença dos ossos do nariz e a translucência da nuca (camada de linfa que existe na nuca do feto) permitem, juntamente com análises ao sangue da grávida, fazer o rastreio dessas anomalias.

Mãe – Finalmente é possível vislumbrar uma barriguinha! É possível que mais ninguém note, mas é provável que precise de trocar as calças habituais por umas com mais elasticidade na cintura. Nesta altura, é provável que os enjoos atenuem ou passem de vez, mas por outro lado a probabilidade de ter dores de cabeça aumenta: são desencadeadas pelas alterações hormonais, descida dos níveis de açúcar no sangue e dificuldade em dormir.

4º MÊS
Bebé – Está cada vez maior e mais parecido com um bebé: as orelhas moveram-se e estão agora no sítio certo, assim como os olhos. Até agora a cabeça era bastante maior do que o corpo, mas essa desproporção vai atenuar-se à medida que o corpo cresce. Todos os órgãos e sistemas estão formados. Se for menino, esta é a altura em que se forma a próstata, se for menina os ovários vão descer para a pélvis. No final do 4º mês, o feto já está do tamanho de um abacate, já tem unhas e impressões digitais e já consegue ouvir a voz da mãe.

Mãe – Parabéns, o primeiro trimestre de gravidez já passou, o que significa que o risco de aborto diminuiu drasticamente. É provável que sinta uma energia renovada, aumento da líbido… e fome! Os enjoos passaram e o bebé está a crescer, por isso é natural que tenha mais apetite. Lembre-se, contudo, que apenas necessita de ingerir 300 calorias extra por dia. A barriga está mais proeminente e é provável que todos à sua volta reparem que está grávida. As mamas também estão a crescer (nesta altura é normal ter de comprar um soutien maior) e a preparar-se para a amamentação. A pele e o cabelo ganham nova vida, graças às hormonas: o cabelo cai menos e fica mais brilhante, enquanto a pele tem tendência para resplandecer – é o brilho da gravidez!

5º MÊS
Bebé – Já ouve o que o rodeia e gosta especialmente de escutar a voz da mãe. Ainda tem muito espaço para se movimentar e por isso está cada vez mais ativo. Nesta altura, o corpo do bebé está coberto por uma penugem (lanugo) que, em conjunto com o vérnix caseoso (substância gordurosa e esbranquiçada), protege a pele e cria uma barreira antibacteriana. Geralmente, o lanugo desaparece antes do parto. Já mede cerca de 27 centímetros e pesa 450 gramas. Entre as 20 e as 24 semanas, realiza-se a ecografia “morfológica” em que se faz uma avaliação mais detalhada da anatomia fetal (nomeadamente o coração e estruturas cerebrais), o rastreio de parto pré-termo e pré-eclampsia. É também nesta eco que se confirma o sexo do bebé.

Mãe – Entrou na segunda metade da gestação. A barriga continua a crescer e o umbigo “abre-se”. É natural que comece a sentir algumas dores abdominais, que resultam da distensão muscular e dos ligamentos. Desde que não seja uma dor intensa ou acompanhada de outros sintomas, não é preocupante. É possível também que comece a sentir azia, à medida que o bebé faz pressão no sistema digestivo. Evite alimentos ácidos ou picantes. Reforce a hidratação da barriga, peito e coxas com um creme específico antiestrias, pois é nesta fase que têm tendência a surgir. A energia continua em alta e a barriga ainda não incomoda. Aproveite.

6º MÊS
Bebé – A coordenação motora está mais apurada e já consegue juntar os polegares aos outros dedos. Já abre os olhos e consegue distinguir a claridade da escuridão. Começam a formar-se pequenos depósitos de gordura que ajudam a reter calor. Mede cerca de 35 centímetros e pesa à volta de 800 gramas. Está a crescer a olhos vistos e, acima de tudo, a ficar cada vez mais inteligente.

Mãe – Dormir pode tornar-se mais complicado a partir de agora: evite cafeína, mantenha-se bem hidratada e faça algum exercício (caminhadas, por exemplo) para ajudar o corpo a conciliar melhor o sono. É normal que surja algum inchaço nas mãos e nos pés. Se for ligeiro, não há problema, mas se for grave ou repentino pode ser sinal de pré-eclampsia e é urgente consultar o obstetra. A pré-eclampsia é uma doença hipertensiva específica da gravidez que pode ter complicações graves quer na mãe, quer no bebé. É normal haver uma ligeira subida da tensão arterial nesta fase, mas não deve passar dos 140/90. Nesta altura, poderá começar a sentir contrações: são as Braxton Hicks. Os músculos do útero contraem-se e a barriga fica dura durante 30 a 60 segundos. Geralmente são indolores e servem apenas de treino.

7º MÊS
Bebé – A gordura vai continuar a acumular-se debaixo da pele à medida que o bebé engorda e vai perdendo o aspeto de pele enrugada. Nesta fase já mede cerca de 40 cm e pesa mais de um quilo, mas ainda há um caminho a percorrer: até ao final da gravidez é provável que triplique de peso. As pestanas estão a começar a crescer. Nesta altura, se for um menino, os testículos vão descer. Se nascer agora, o bebé já tem boas hipóteses de sobrevivência, com ajuda médica. Entre as 30 e as 32 semanas, realiza-se a última ecografia para avaliar o crescimento e o bem-estar fetal e verificar a localização da placenta.

Mãe – Entrou no último trimestre, já falta pouco para o dia D. É provável que o primeiro alimento do bebé (o colostro) já esteja em produção. Se gosta de se sentir organizada, comece a preparar a mala da maternidade. Nesta fase, é normal sentir desconforto ou mesmo dor nas costas e zona pélvica: o seu corpo carrega um peso extra e é natural que existam alguns pontos de maior pressão. Além disso, há um relaxamento das articulações e ligamentos, que estão agora em modo de preparação para o parto. A pressão do bebé no sistema digestivo e a ação das hormonas podem causar hemorroidas. A melhor forma de evitá-las é beber muita água e ingerir alimentos ricos em fibra. A vontade de fazer xixi é cada vez mais frequente, já que o útero está a expandir e faz pressão na bexiga, mas não deve deixar de beber água. Uma boa hidratação é essencial até para prevenir o parto prematuro.

8º MÊS
Bebé – A íris dilata e contrai-se em resposta à luminosidade, os estados de vigília e sono são agora mais diferenciados e seguem um padrão: a dormir, acordado, ativo e sonolento. Ouve bem e está atento aos sons à sua volta. Já pesa à volta de dois quilos e, se nascer no final deste mês, as dificuldades respiratórias são mínimas.  

Mãe – Na reta final, é natural que se sinta exausta. O peso, a dificuldade em dormir e o desconforto podem ser extenuantes. A pressão na zona pélvica aumenta, à medida que o bebé desce e encaixa, e a vontade de fazer xixi é cada vez mais frequente. Por outro lado, a pressão do bebé no sistema digestivo continua a provocar-lhe azia e é provável que assim se mantenha até ao parto. Vai continuar a sentir contrações (Braxton Hicks), um sinal de que o seu corpo está a preparar-se para o grande dia.

9º MÊS
Bebé – Finalmente, temos um bebé de termo, pronto para nascer a qualquer momento, entre as 38 e as 42 semanas. Todos os órgãos estão desenvolvidos. Nestas últimas semanas, o bebé continua a ganhar peso. Em média, um bebé de termo nasce com 50 cm e mais de três quilos.

Mãe –
Apetece-lhe fazer arrumações e limpezas? É normal, é a vontade de preparar o ninho para receber o bebé. Fique atenta aos sinais de parto: expulsão do rolhão mucoso, rotura da bolsa e contrações dolorosas e regulares (três em 10 minutos). Está na hora de ir para o hospital, respirar fundo e confiar no seu corpo.

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