Os números da gravidez

ImageA contabilidade da gravidez começa muito tempo antes da concepção. De facto, tem início na própria gestação da futura mãe. Ao nascer, as meninas possuem cerca de 400 mil ovócitos primários, alojados nos dois ovários. Destes, apenas 400 se transformam em óvulos e, em cada ciclo menstrual, 20 amadurecem o suficiente para que, habitualmente, apenas um siga viagem pelas trompas de Falópio, em direcção ao útero e a um possível encontro com um espermatozóide.

 

Se tivermos em consideração 30 anos de idade fértil e 13 ciclos por ano – apenas com um óvulo fertilizado – o resultado são 390 gravidezes em potência para cada mulher! Felizmente que a Natureza é sábia o suficiente para ignorar a capacidades da Aritmética...

 

Já a preparação física do homem para o papel de pai tem início muito mais tarde. Ao atingir a puberdade, os testículos dos rapazes começam a produzir 1500 espermatozóides por segundo, os quais sobrevivem cerca de 72 horas. Só assim se torna possível que, em cada ejaculação, sejam emitidos 100 a 500 milhões de espermatozóides, distribuídos por cerca de cinco mililitros de sémen. Destes, 20 milhões têm de entrar no corpo da mulher, para que 100 mil consigam atravessar o colo do útero. Menos de 200 sobrevivem até às trompas de Falópio e, habitualmente, apenas um fecunda o óvulo que está à sua espera. Um autêntico sorteio da lotaria, após uma saga que dura habitualmente cerca de 15 minutos mas que pode chegar às 48 horas!

 

REPETIÇÕES AO INFINITO

 

No momento da concepção, o óvulo da mãe e o espermatozóide do pai transmitem ao futuro bebé 23 cromossomas – longas cadeias de ADN – cada um, o que perfaz um conjunto completo de 46 cromossomas. Este conjunto vai repetir-se, quase ao infinito, em cada uma dos muitos milhares de milhões de células do corpo humano e é uma equação irrepetível, salvo nos casos de gémeos verdadeiros, que a partilham. É essa estrutura que nos dá as características físicas que nos tornam seres únicos.

 

De volta ao corpo da mulher, após a fusão entre o óvulo e o espermatozóide, o ovo vai descendo das trompas até à cavidade uterina, demorando entre 5 a 7 dias. No momento em que se implanta na parede do útero dá-se a nidação. Entretanto, começam as multiplicações e as divisões: o chamado zigoto separa-se em duas, quatro e muitas, muitas outras células, transforma-se em blastocito (com mais de 100 células), implanta-se e dá origem à placenta e ao embrião.

 

Nos próximos meses, o futuro bebé vai aumentar muitas vezes os seus valores iniciais, de menos de um centímetro e um grama no momento da implantação até aos 50 centímetros e 3,5 quilos, em média, na altura do parto. Se esta evolução é uma das primeiras curiosidades que a mulher satisfaz – seja durante as consultas médicas, em leituras ou pesquisas na internet – existem outros números, menos conhecidos. A começar pela placenta. Este órgão, semelhante a uma panqueca esponjosa que se une à parede do útero e ao feto, através do cordão umbilical, é absolutamente essencial, dado que permite as trocas alimentares e de oxigénio entre a mãe e o bebé, contribuindo para a purificação e robustez do organismo que está a formar-se e a crescer.

 

A placenta pode ser comparada a uma rede de árvores ramificadas, composta por cerca de 200 troncos, que crescem em paralelo com o desenvolvimento do feto. No final da gravidez, assemelha-se a um disco com cerca de 25 centímetros de diâmetro, 2 a 3 centímetros de espessura e 700 gramas. Mas o mais interessante é que, se fosse possível estender todas as ramificações dos tecidos e vasos que formam este autêntico «anjo da guarda» do bebé, o diâmetro total atingiria cerca de 15 metros quadrados, ou seja um quarto de médias dimensões! Não admira que o volume sanguíneo da mãe aumente de cerca de 5 litros no início da gravidez, para perto de 7 a 8 litros no final da gestação.

 

CORDAS E ENLEIOS

 

Para além da placenta, o bebé é acompanhado pelo cordão umbilical, por onde passam as substâncias de que necessita e os resíduos que produz e que vão sendo eliminados. Mas as funções desta ligação vital não se esgotam na ligação com o organismo da mãe e não são raros os casos em que, nas ecografias, é possível ver o feto em autênticas brincadeiras com a sua «corda». De tal forma que, em cerca de 20 por cento dos casos, a enrola num dos membros, à volta do pescoço, podendo formar autênticos nós.

 

Durante milénios, estas situações estavam na origem de complicações nos últimos estágios da gravidez – pela eventual deficiente oxigenação – e durante o parto mas, nos dias de hoje, as técnicas de vigilância permitem detectá-las atempadamente e tudo fazer para garantir a segurança do bebé, tanto na barriga da mãe e durante o nascimento. O comprimento do cordão umbilical pode variar desde a inexistência – a chamada «acordia» - até uns robustos três metros e um diâmetro de três centímetros. No entanto, os valores médios apontam para 55 centímetros de comprimento e 1,5 centímetros de diâmetro.

 

Com um formato em forma de hélice (semelhante a um fio de telefone enrolado), o cordão é formado por duas artérias e uma veia, responsáveis por todas as trocas intra-uterinas. Antes do parto, é impossível determinar com exactidão as características do cordão. Mas uma coisa é certa: o bebé tem uma grande responsabilidade na forma como o seu brinquedo favorito se desenvolve. Quantos mais movimentos realizar, mais as hélices vão alargando e aumentando o comprimento e a espessura.

 

PISCINA PRIVADA

 

Todas as brincadeiras e posições são possíveis porque o bebé flutua na mais maravilhosa e protectora das piscinas. Composta maioritariamente por água, o líquido amniótico é formado também por proteínas, hidratos de carbono, lípidos, fosfolípidos, ureia e electrólitos, essenciais ao desenvolvimento saudável e crescimento do feto, que o engole e o expele, ajudando a amadurecer os pulmões e treinando para a respiração fora do útero.

 

Outros papéis importantes deste fluido são a protecção contra pancadas e outras agressões externas e o reforço das capacidades musculares. O líquido amniótico começa a formar-se cerca de duas semanas após a concepção e, às 12 semanas, tem um volume de 30 ml, que caberia em meia chávena de café.

 

Entre as 32 semanas e as 35 semanas, atinge o pico máximo com cerca de um litro e a partir desse momento vai diminuindo, mas não há qualquer motivo para alarme, dado que isso apenas acontece porque a piscina privada vai dando lugar a um bebé cada vez maior.

 

 De forma a acolher tudo isto, o peso do útero aumenta cerca de 20 vezes durante a gravidez, de cerca de 60 gr antes da concepção para cerca de 1 kg no termo. O tamanho aumenta cinco a seis vezes e às 40 semanas, a «casa» do feto apresenta, em média, 30 a 35 cm de comprimento, 20 a 25 cm de largura e cerca de 22 cm de profundidade. A capacidade terá aumentando nesse momento umas mil vezes, de aproximadamente 4 ml para de 4000 a 5000 ml.

 

Já lhe parecem números a mais? Ok. Para fugir à abstracção dos algarismos, médias e percentagens nada melhor do que visualizar a sua barriga como um fruto: às dez semanas – ainda pouco ou nada do aspecto exterior permite adivinhar a gravidez – o útero terá já o tamanho de uma laranja grande. Às 12 semanas atinge o volume de uma toranja e às 14 de uma meloa.

 

Aos seis meses, ou seja, cerca das 24 semanas, terá as dimensões de um melão pequeno. Perto do final, os 33 centímetros de diâmetro que podem ser medidos do osso público ao ponto mais alto da barriga serão semelhantes a uma sumarenta e doce melancia.  

 

 

Distribuição do peso às 40 semanas (valores médios)

Bebé – 3 a 4 kg

Placenta – 0,7 kg

Líquido amniótico – 1 kg

Gordura da mãe – 2,5 a 3 kg

Sangue avolumado – 1,5 kg

Retenção de água – 2,5 kg

Seios – 1 kg

Útero – 1 a 1,5 kg

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