Sofrimento fetal

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Sofrimento fetal
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ImageO sofrimento fetal pode ser definido como um conjunto de sinais durante a gravidez (antes ou durante o parto) que indicam que o feto não está bem.

Muitas vezes, ao interrogarmos as mães acerca do parto, ouvimos como resposta que o parto foi provocado mais cedo, ou que foi cesariana, porque o bebé estava em sofrimento.

Geralmente, é uma situação que causa maior sofrimento aos pais do que ao feto, tendo em conta que estes apenas podem observar e consentir passivamente nas decisões médicas e que o feto, na maioria das vezes, está bem.

São geralmente infrutíferas as tentativas de tentar tranquilizar os futuros pais, já que os próprios profissionais de saúde experimentam, também, algum grau de ansiedade que pode alterar a conduta de vigilância habitual, de acordo com o tempo de gravidez, a gravidade ou a urgência da situação.

Nos últimos anos, o Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG) tem vindo a afirmar e alertar que a expressão «sofrimento fetal» é imprecisa e não específica, e recomenda a sua não utilização na prática clínica. Muitas vezes, suspeita-se de sofrimento fetal, sendo a actuação clínica baseada nessa previsão. Felizmente, na grande maioria dos casos, o resultado é o nascimento de um recém-nascido com uma vitalidade normal, ao contrário do que se esperava.

Actualmente, pensa-se que a terminologia utilizada entre clínicos (obstetras e neonatologistas) e entre clínicos e pacientes será mais adequada se se substituir a expressão «sofrimento Fetal» por «estado fetal não tranquilizador», seguida de uma descrição detalhada dos achados que levantam alguma suspeita relativamente ao bem-estar do feto.

Em que difere o sofrimento fetal de um estado fetal não tranquilizador?
O sofrimento fetal associa-se a um feto/bebé doente, enquanto que um estado fetal não tranquilizador traduz a interpretação clínica de dados relativos à saúde fetal (o clínico não fica tranquilo perante os achados dos exames que permitem avaliar o bem-estar fetal). Ou seja, o diagnóstico de um estado fetal não tranquilizador pode coexistir com o nascimento de um recém-nascido com uma excelente vitalidade.

Avaliação do bem-estar fetal
O estado fetal não tranquilizador pode ser crónico ou agudo, conseguindo-se detectar algum grau de compromisso fetal em cerca de 20% das grávidas que sigam um plano de vigilância adequado.

O compromisso de órgãos vitais do feto (cérebro, coração) causado por asfixia (diminuição do aporte de oxigénio), pode ocorrer de forma transitória ou definitiva, podendo causar sequelas a longo prazo ou morte fetal. O objectivo da avaliação do bem-estar fetal é detectar atempadamente este compromisso, de forma a tomar atitudes que minimizem ou impeçam consequências nefastas para o bebé.

Compromisso fetal crónico
Implica uma privação crónica de nutrientes e de oxigénio que altera o normal crescimento e desenvolvimento do feto. Pode ser causado por alterações na placenta ou por alterações no metabolismo fetal. As causas mais comuns são a hipertensão na grávida, a diabetes prévia à gravidez e algumas doenças cardíacas. A gravidez múltipla e as infecções e anomalias congénitas também se podem associar a esta situação.

Compromisso fetal agudo
Deve-se geralmente a uma falha súbita no aporte de oxigénio ao feto. Pode ter como origem a diminuição do fluxo sanguíneo ao útero, diminuição de oxigenação do sangue e hipertonia uterina (contracção forte e mantida do útero sem pausa de relaxamento).

Incluem-se como causas o descolamento de placenta (quando a placenta se separa do útero antes de o bebé nascer), a placenta prévia (quando a placenta se posiciona à frente do feto, no canal de parto) e a compressão e/ou prolapso do cordão umbilical (quando o cordão é pressionado e/ou cai no canal de parto à frente do bebé).


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