Gravidez em equilíbrio

Image Estar grávida é tão normal como avassalador. Recorrer às terapias não convencionais pode ser uma forma de aumentar o bem-estar físico e emocional e aprender a desfrutar verdadeiramente da gravidez.

 

Acupunctura, massagem shiatsu, reiki ou hipnoterapia são algumas das terapêuticas complementares que podem contribuir para uma gravidez mais saudável e um parto mais descontraído. Ancoradas em saberes milenares, têm como mais-valia o facto de olharem para o ser humano como um todo.

 

São particularmente benéficas no alívio de pequenos males físicos, como as dores de costas e os enjoos, mas também de males emocionais, como a ansiedade, o medo e a insegurança. Não são uma alternativa. Podem (e devem) ser utilizadas em complementaridade com a medicina convencional. Não dispense as ecografias e as análises, nem os conselhos do seu médico. Informe-o se pretender recorrer a alguma destas terapias durante a gravidez ou o parto.

 

Para usufruir dos benefícios de algum tratamento não-convencional no momento do parto, é importante familiarizar-se com ele durante a gravidez. Leia, informe-se, sinta e certifique-se de que escolheu um terapeuta devidamente formado e credenciado. Lembre-se, contudo, que é possível que o hospital ou a maternidade onde vai ter o seu bebé não permitam a presença de um terapeuta alheio à equipa médica durante o parto. Fale com o seu obstetra sobre o assunto e não deixe de questionar os responsáveis da instituição.

 

Complementar ou convencional, a medicina está ainda longe de oferecer receitas absolutas e milagrosas. Muitos dos pequenos males da gravidez não se resolvem com pílulas mágicas, nem com remédios santos. Resolvem-se com descanso, pensamento positivo e paciência. Na certeza de que estar grávida é tão avassalador como normal.

 

Acupunctura

O que é: Terapia da Medicina Tradicional Chinesa, que se baseia na teoria de que o homem é dividido em Yin e Yang, aspectos opostos de uma mesma energia que existem em equilíbrio. São os desequilíbrios entre estas energias (por acção de agentes externos, das emoções ou da alimentação) que provocam as doenças. Através da inserção de agulhas em determinados pontos do corpo (meridianos), os desequilíbrios energéticos podem ser corrigidos. Existem mais de 365 pontos de acupunctura no corpo humano.

 

Na gravidez: A acupunctura pode ser bastante útil no alívio das dores de costas, provocadas pelo afrouxamento das articulações da bacia e pelo aumento do volume do abdómen, o que dificulta o equilíbrio da postura corporal. Além disso, é aconselhada também para a diminuição de náuseas e enjoos. Deve, no entanto, existir um certo cuidado na estimulação de certos pontos, pois podem provocar contracções uterinas. Um risco que não correrá se escolher um acupunctor experiente e credenciado.

 

No parto: Pode ser utilizada para facilitar o trabalho de parto, diminuir as dores e até ajudar a rotação do bebé quando este se apresenta numa posição difícil (sentado, por exemplo). Para diminuir a dor no trabalho de parto, o acupunctor utiliza as agulhas nos pontos responsáveis pela libertação de endorfinas. Uma revisão de estudos sobre terapias alternativas no parto publicada no Cochrane Review, em Junho de 2006, reconheceu os benefícios da acupunctura no alívio das dores.

Outra investigação publicada no British Journal of Obstetrics na Gynaecology, em Junho de 2002, comprovou os efeitos analgésicos e relaxantes desta terapia durante o parto. Os resultados da investigação indicaram que «a utilização de acupunctura durante o parto reduziu o recurso à analgesia epidural» e que as parturientes que beneficiaram desta terapia «experimentaram um maior grau de relaxamento quando comparadas com o grupo de controlo». Além disso, o estudo indicou não haver qualquer efeito negativo na utilização da técnica durante o parto.

 

Aromaterapia

O que é: Técnica que utiliza os óleos essenciais das plantas com fins medicinais.

 

Na gravidez: Os óleos essenciais são recomendados, sobretudo, para promover o relaxamento durante a gravidez, mas também para alívio de dores nas costas, enjoos, azia, prisão de ventre, insónia, estrias, inchaço nos tornozelos ou varizes. A inalação é o método mais vulgar e imediato de entrar em contacto com as propriedades dos óleos essenciais. Podem colocar-se umas gotas num lenço e ir inalando de vez em quando ou deitar umas gotas num recipiente com água quente, para que o vapor liberte os aromas. Podem ainda ser aplicados directamente na pele através de uma massagem, no banho ou em compressas. Na gravidez, utilizam-se especialmente os óleos de lavanda (ou alfazema), por ser calmante, relaxante e analgésico, ou de tangerina, que além de ser relaxante, combate insónias e ajuda em situações de medo e irritabilidade.
Alguns aromaterapeutas desaconselham a utilização de alguns óleos nos primeiros meses de gravidez, por risco de serem nocivos para o bebé. É importante, por isso, aconselhar-se com um especialista experiente.

 

No parto: Lavanda, jasmim e gerânio são alguns dos óleos aconselhados durante o trabalho de parto, pela sua capacidade de relaxar os músculos e aliviar tensões. Utilizam-se deitando algumas gotas em determinadas porções de água ou aplicam-se sobre o corpo através de uma massagem. Em Inglaterra, a aromaterapia é muito utilizada nas salas de parto, especialmente por parteiras. Um estudo do Oxford Centre for Health Care Research, no Reino Unido, que abrangeu 8058 mulheres entre 1990 e 1998, concluiu que 50% das parturientes consideraram a aromaterapia vantajosa. O estudo demonstrou ainda que a administração de óleos essenciais na sala de parto reduziu a utilização de analgésicos convencionais.

 

Fitoterapia

O que é: A fitoterapia recorre às propriedades das plantas para atingir determinados efeitos terapêuticos. As plantas podem ser usadas quer em chás, quer sob a forma de comprimidos.

 

Na gravidez: O primeiro cuidado a ter é não tomar nada sem falar com o seu médico. Contrariamente ao que se possa pensar, nem tudo o que é natural é inócuo. Há plantas que, mal utilizadas, podem trazer alguns riscos à gravidez. Tomada esta precaução, saiba que a Natureza oferece boas soluções para os pequenos males da gravidez, como as náuseas e a prisão de ventre. O chá de camomila é um desses remédios. Tomado de manhã ou ao longo do dia, é uma ajuda para combater os enjoos e a azia. O mesmo se pode dizer do funcho, do gengibre e da hortelã-pimenta. A prisão de ventre pode ser aliviada com uma bebida de dente-de-leão, psílio ou linhaça. Para as enxaquecas, beba chá de tília. Para as estrias, aplique gel de aloé vera ou massaje a pele com azeite uma ou duas vezes por dia. As articulações inchadas podem ser combatidas com cataplasmas de couve nas áreas afectadas para reduzir o edema. Também pode beber chá de urtiga e dente-de-leão, que têm efeito diurético e ajudam os rins a processar mais líquido. Se tem dificuldade em dormir tranquilamente, faça um chá de camomila, tília, lavanda ou passiflora. Para aliviar a tensão e o stress, espalhe alfazema, flor de tília, flor de laranjeira ou pétalas de rosa no seu banho e relaxe.

 

No parto: Não se aplica.

 

Hipnoterapia

O que é: Técnica baseada no relaxamento e concentração. Sob hipnose, a função cognitiva do cérebro é como que «desligada» e o subconsciente assume um papel central. O corpo fica totalmente relaxado. Este estado pode ser atingido por auto--indução ou com a ajuda de um terapeuta.

 

Na gravidez: É uma técnica muito útil para «trabalhar» medos, ansiedades e angústias comuns nesta fase da vida. A grávida é ajudada a entrar num estado de profunda descontracção e incentivada a lidar com o que mais a atemoriza. O hipnoterapeuta saberá o que perguntar e como dirigir a sessão. O objectivo é encontrar a força interior para resolver os problemas. O estado de hipnose não tem nada de mágico ou transcendente. É apenas um estado de consciência diferente que permite ao paciente aceder ao seu subconsciente para resolver determinados problemas. Ele não deixa de saber quem é, onde se encontra e o que está a fazer. No fim da sessão, lembrar-se-á de tudo. Os terapeutas não usam pêndulos nem olhares penetrantes. Utilizam apenas a sua voz, num tom baixo, calmo e monocórdico.

 

No parto: Ajuda a controlar a dor, relaxando os músculos e evitando a tensão que provoca as sensações dolorosas. Tudo se passa a nível mental. O corpo está relaxado e o cérebro está absolutamente concentrado para que não existam medos ou tensões. No Reino Unido, a hipnose é uma técnica aconselhada por muitas parteiras, a par de outras como a aromaterapia, a massagem e a acupunctura. Os seus benefícios começam a ser comprovados cientificamente: uma revisão de estudos sobre terapias alternativas no parto publicada no Cochrane Review, em Junho de 2006, reconheceu os benefícios da hipnose no alívio das dores. Mas há outros benefícios, asseguram os seus defensores: menor necessidade de recurso a fármacos (logo menos riscos de efeitos secundários para a mãe e para o bebé); o trabalho de parto é menos demorado; devido ao relaxamento conseguido durante a dilatação, a mãe mantém a sua energia e vigor; menos stress e mais paz na altura da chegada do bebé e menos necessidade de intervenções médicas no decorrer do trabalho de parto.
 

Homeopatia

O que é: Baseando-se no princípio de que “os semelhantes curam-se pelos semelhantes”, a homeopatia trata a doença com aquilo que a pode provocar.

 

Na gravidez: Os especialistas garantem que a homeopatia não tem qualquer efeito secundário ou risco tóxico para o feto. Assim, os remédios homeopáticos podem ser utilizados nos casos em que os medicamentos clássicos estão contra-indicados, o que durante a gravidez acontece quase sempre. São exemplo as constipações e os problemas de garganta que quando surgem durante a gravidez têm tendência a demorar-se, precisamente por não poderem ser tratados com medicamentos. Existem ainda remédios para combater perturbações características da gravidez, como náuseas, cãibras, azia ou pernas pesadas, e outros que servem de preparação para o parto, reduzindo a agitação e a ansiedade.

 

No parto: Os remédios homeopáticos podem ser utilizados para aliviar as dores de parto. Existem ainda medicamentos indicados para a depressão pós-parto e para favorecer a amamentação (aumentar a secreção láctea, tratar gretas nos mamilos ou subidas de leite dolorosas).

 

Ioga

O que é: Palavra em sânscrito que significa «união». O ioga surgiu na Índia há mais de cinco mil anos. Filosofia de vida que busca o aperfeiçoamento humano, através do equilíbrio harmonioso entre corpo e espírito. O ioga é a disciplina da mente, das emoções e da vontade. É, para os seus seguidores, uma forma de liberdade.

 

Na gravidez: O ioga volta a grávida para si própria e para o seu bebé. Ensina-a a focar-se no seu corpo em transformação e a gerir as suas emoções ao longo da gestação. Seja qual for o seu nível de preparação física e mental, o relaxamento profundo proporcionado pela prática do ioga transmite à grávida uma sensação de calma interior e harmonia com o meio envolvente. Através do ioga, a grávida fortalece, tonifica e relaxa o seu corpo. A disciplina ajuda também a abrir a pélvis antes do parto e permite recuperar a tonicidade muscular após o parto. Uma das formas mais populares de ioga é o hatha, que usa uma série de posturas, às quais se dá o nome de ásanas, exercícios respiratórios, intitulados pranayama, e técnicas de meditação. As posturas a treinar devem ser as mais simples de todas e as que menos esforço exigem. Certifique-se de que escolheu um professor que conhece bem as transformações da gravidez e sabe que tipo de exercícios são os mais adequados para as grávidas. Através do ioga, a relação com a força da gravidade torna-se mais clara para a grávida e ela aprende a sentir-se mais leve. A coluna vertebral ganha flexibilidade e liberta-se da rigidez acumulada. A prática do ioga também melhora a circulação sanguínea e a circulação da linfa, ajuda a respiração da mãe e, consequentemente, a oxigenação do bebé, fortalece os músculos, proporciona mais força e flexibilidade, diminui a tensão e a rigidez acumulada nos músculos e articulações, alivia algumas dores localizadas, como as dores nas costas, diminui o cansaço e ajuda a adquirir uma atitude mental positiva.

 

No parto: Os exercícios de respiração e as técnicas de meditação treinados durante a gravidez podem ajudar a grávida a controlar a dor durante o parto e a centrar-se primordialmente no nascimento do seu bebé.

 

Osteopatia

O que é: Terapia que actua ao nível da estrutura muscular e esquelética, através de técnicas de manipulação e massagens. O objectivo é restaurar e manter o equilíbrio e o bom funcionamento dos músculos e dos ossos.

 

Na gravidez: Pode ser muito benéfica para aliviar as dores de costas, de pernas e melhorar a postura. Tem efeitos positivos também no tratamento de problemas no pescoço, dor ciática, dificuldades respiratórias, obstipação, náuseas, vómitos, varizes e hemorróidas. Por outro lado, a osteopatia ajuda o corpo da mulher a adaptar-se às várias fases da gravidez. O enquadramento ósseo – bacia e coluna vertebral – tem de ajustar-se ao volume sempre crescente do útero. E é preciso não esquecer que ocorre uma alteração do centro de gravidade do corpo. Através de massagens suaves, só com os dedos ou com as mãos, a Osteopatia tem respostas específicas para cada fase da gravidez, restaurando e preservando o equilíbrio do corpo e aliviando a tensão muscular. A perspectiva é sempre global, ou seja, o osteopata olha para a grávida como um todo, não trata problemas isolados uns dos outros.

 

No parto: Não se aplica. Há, contudo, benefícios no pós-parto. A Osteopatia pode tratar as dores resultantes de uma postura deficiente durante o parto ou durante a amamentação, para além de ajudar a encontrar um equilíbrio emocional. Outro tipo de problemas, também comuns nesta fase, como a incontinência urinária, as dores de cabeça e as alterações menstruais também podem ser alvo de um acompanhamento por um osteopata.

 

Reflexologia

O que é: Aplicação de pressões específicas em pontos reflexos dos pés, na premissa de que correspondem a partes específicas do corpo. Massajando esses pontos, actua-se directamente nos órgãos, libertando bloqueios no fluxo de energia e melhorando o seu funcionamento. Também pode ser feita nas mãos.

 

Na gravidez: Ansiedade, dores de costas, problemas circulatórios e obstipação são as principais indicações para o uso da reflexologia durante a gravidez. Devem evitar-se alguns pontos reflexos junto dos tornozelos, pois podem induzir contracções uterinas.

 

No parto: Esta técnica pode ser utilizada durante o trabalho de parto para aliviar as dores, uma vez que ajuda a libertar as endorfinas, e para ajudar o colo do útero a dilatar. Se o especialista não puder estar presente (porque o hospital não permite), o pai pode aprender como trabalhar alguns pontos e ajudar a mãe a usufruir dos benefícios desta técnica.

 

Reiki

O que é: Traduzido livremente, reiki significa «energia universal da vida». É uma terapia que consiste na canalização de energias através das mãos. O reiki é um método de tratamento espiritual que se baseia nos antigos ensinamentos dos budistas tibetanos. Acredita-se que estimula a saúde e o bem-estar.

 

Na gravidez: Útil para aliviar dores de costas, dor ciática, enxaquecas, stress e ansiedade. O terapeuta coloca as mãos sobre certas partes do corpo da grávida, estimulando campos energéticos. A terapia centra-se na promoção do bem-estar físico, emocional e espiritual. A energia terapêutica é canalizada para as fontes dos problemas, eliminando bloqueios emocionais e físicos e aliviando os sintomas.

 

No parto: Feito regularmente durante a gravidez, o reiki pode ajudar a transformar o nascimento num momento de harmonia e tranquilidade. Alivia a ansiedade e a dor e facilita a evolução do trabalho de parto. Ajuda a parturiente a relaxar, mental e fisicamente, e diminui o sofrimento. A canalização das energias provoca uma sensação de libertação que, por sua vez, provoca um relaxamento profundo. Durante o parto, o reiki pode ser praticado pela própria pessoa ou por um terapeuta.

 

Shiatsu

O que é: Terapia originária do Japão, que significa pressão (atsu) com os dedos (shi). Como o nome indica, é um tipo de massagem em que o terapeuta utiliza os dedos (e, às vezes, as mãos e os cotovelos) para fazer pressão sobre alguns pontos e meridianos da acupunctura. Há mesmo quem lhe chame «acupunctura sem agulhas».

 

Na gravidez: Alguns especialistas desaconselham a utilização da massagem shiatsu durante a gravidez. Outros aconselham-na vivamente, desde que aplicada com cuidado para evitar pressionar certos pontos, reconhecendo os seus benefícios no relaxamento e alívio de tensões, na redução de dores de costas e no combate à insónia.

 

No parto: A massagem shiatsu pode ajudar a relaxar a mulher durante a dilatação, proporcionando-lhe uma experiência de parto mais agradável.

 

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