Pensar no assunto

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Reflita bem antes de mandar o seu filho pensar num erro. Considera mesmo que ele seja capaz disso? O castigo representa um ato de repreensão, algo que não é bem-vindo. Ninguém quer ficar de castigo!


É frequente encontrar quem use a estratégia de quando existe um comportamento desajustado da criança, que se encaminhe a mesma para ir para o castigo pensar no disparate que fez. Pais, educadores e outros técnicos usam esta estratégia, acreditando com toda a boa fé que é, de facto, uma boa estratégia. Mas não é. Castigo para pensar nem pensar!


Reflita bem antes de mandar o seu filho pensar num erro que tenha cometido. Considera mesmo que ele seja capaz disso? O castigo representa um ato de repreensão, algo que não é bem-vindo. Ninguém quer ficar de castigo! O pensar indica uma atitude enriquecedora, profunda, madura e reveladora. “Pensar: submeter ao processo de raciocínio lógico; ter atividade psíquica consciente e organizada; exercer a capacidade de julgamento, dedução ou concepção; refletir sobre, ponderar, pesar“.


Parece-lhe mesmo que o seu filho de três anos vai usar aqueles minutos de isolamento para pensar no que fez, refletir sobre as consequências dos seus comportamentos e voltar dali uma criança melhor, mais bem-educada? Não, não vai. Colocar uma criança pequena a pensar no que fez só serve para dar uns minutos de descanso aos pais. Não tem uma função educativa, porque a criança só consegue pensar sobre o que fez e só compreende o sentido moral das regras e dos valores pelos dos seis, sete anos. Um castigo para ser eficiente deve ter uma relação de causa-efeito com o erro dos nossos filhos. A estratégia deve sempre relacionar numa associação de causa-efeito do erro com a consequência, do género, “sujaste o chão, agora limpas, não há outra alternativa” (mesmo que limpe mal e que se tenha que limpar melhor a seguir, sem que ele perceba, mas tem que limpar). Relacionar pensamento e castigo é atribuir uma conotação negativa a algo tão positivo e bom como é o exercício de pensar. O pensar, que é uma coisa tão boa, uma elaboração, um sinal de inteligência e crítica, acaba por se tornar um castigo e o pensamento deve ter uma conotação positiva.


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