O seu filho faz “birras” à refeição?

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No segundo ano de vida do bebé a velocidade de crescimento é menor, mas a atividade física aumenta. Esse é o período ideal para aceitar novos alimentos e novos sabores, que serão mais difíceis de introduzir mais tarde. Por norma, a partir dos três anos, a “janela de oportunidade” fecha com a redução do apetite, causando, com frequência, preocupação aos pais.

É a altura em que apresentam o que costumamos chamar de neofobia, isto é, relutância em consumir alimentos que não conheçam. Nesta altura, desenvolvem “cortes alimentares”, recusando alimentos que antes aceitavam ou pedindo um alimento particular em cada refeição. Esta situação tende a ser temporária e os pais acabarão por controlar, não apenas a alimentação da criança, como também eventuais comportamentos impróprios. É importante saber que nem a abordagem de controlo rígido, nem a abordagem passiva têm sucesso.

Os pais e os cuidadores da criança deverão preparar um leque variado de alimentos, evitar os que forem recusados ou confecioná-los de modo diferente para terem outro sabor ou apresentação, em último caso poderão, ainda, ser substituídos por outros do mesmo grupo da roda dos alimentos.

Aconselho a inclusão da criança na preparação da refeição, fazendo com que ela sinta que foi a responsável pela escolha dos alimentos e elogiando o prato durante o seu consumo. Desse modo, baixamos a probabilidade de rejeição da refeição. Uma vez que são necessárias várias tentativas para que o paladar da criança se adapte aos “novos” alimentos, poderá persuadir o seu filho a provar o alimento, mesmo que não o ingira na sua totalidade. Com o tempo, a aceitação tende a aumentar. Por outro lado, se os filhos recusarem, por teimosia, a ingestão da mesma, deverão continuar sentados à mesa até ao fim da refeição. Acrescento, também, que não deverão ser compensados mais tarde com alimentos que gostem ou que peçam. Só assim pensarão duas vezes antes de repetirem o comportamento.


A falta de disponibilidade e de conhecimentos é um fator determinante na qualidade daquilo que os filhos comem e o papel da família na educação alimentar é inquestionável.


E se pesa pouco?


Em situações de baixo peso, as refeições intercalares tornam-se essenciais para suprir as necessidades energéticas da criança. Deste modo, aconselho um reforço destas com alimentos que sejam naturalmente aceites, tais como: pão (com fiambre de aves, queijo fresco, atum, ovo, bife de aves inteiro ou picado com alguns legumes e molhos com azeite como por exemplo, molho “pesto” ou molho de iogurte; cereais (ricos em fibra e com redução de açúcar), iogurtes, leite e fruta. Poderá misturá-los, tornando-os mais apelativos, como os batidos de fruta, de forma a tornar estas refeições menos monótonas e de ingestão mais rápida. Importa, que estes sejam cuidadosamente preparados para serem, simultaneamente, variados e ricos em nutrientes. Para estas crianças aconselha-se iniciar as refeições principais com o prato principal, deixando a sopa para o final, garantido a ingestão dos alimentos mais energéticos em primeiro lugar. Os alimentos com temperaturas extremas e odor forte tendem a ser também excluídos. Como tal, pratos como a sopa, indispensáveis nesta idade, deverão ser servidos mornos. Estudos revelaram também que o consumo de alimentos é diminuído quando a criança está cansada. Neste caso, um pequeno descanso prévio à refeição poderá ser eficaz.

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