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Uma dor irreparável

Nota prévia

Dias depois de escrever este editorial ("Os bons e os maus"), feito no rescaldo do ataque terrorista de Manchester, (e já com a edição na gráfica), acordei, incrédula e aterrorizada, com a notícia das mortes de Pedrogão Grande. Não pude, por isso, deixar na edição impressa a minha solidariedade e compaixão para todas as vítimas desta tragédia brutal. Que aqui fica, num gesto que, estou certa, é neste momento comum a milhões de portugueses. Porque, enquanto se procuram explicações e apuram responsabilidades, é hora de tentar suavizar os corações de quem, de forma tão abrupta e cruel, viu as suas vidas despedaçadas por um inferno de chamas. Como? Acredito que não há receitas infalíveis para sarar uma dor irreparável e que será um caminho longo e penoso. Mas também acredito que, aos poucos, uma “luz” chegará. De uma estrela no céu ou de uma árvore florida, num mar de lágrimas ou num abraço apertado, num grito de dor ou nas entranhas mais profundas. Porque, tal como a natureza, também a alma humana tem uma capacidade ínfima de renascer. Por mais funda que seja a ferida…

Por último, o apelo: que estas 64 mortes não fiquem impunes e que sirvam de lição. Porque a fúria da natureza não pode explicar tudo…


Os bons e os maus

Começa a ser cíclico: o terror, cruel e implacável, entra-nos pela casa dentro. De contornos e motivações improváveis.  E desta vez, o alvo não podia ser mais estranho: crianças e adolescentes a… divertir-se. Perante uma lógica tão infame quanto disparatada, o que dizer aos nossos filhos?
Por muito que custe, só nos resta admitir que há gente má. Mesmo má. Muito pior que o papão ou o homem do saco, as bruxas da floresta ou os monstros do armário. Porque aqueles “maus”, cegos e insensíveis, não se compadecem com sorrisos inocentes, muito menos olham a meios para espalhar o medo e a dor. Custa a acreditar, muito mais a justificar, mas não há volta a dar: os maus existem! Como sempre existiram…
Não adianta, por isso, esconder ou disfarçar (seria, aliás, uma tentativa infrutífera). O melhor será, serenamente, sem grandes teorizações ou palavras difíceis, reconhecer que os maus andam aí e que o perigo, apesar de longínquo e imprevisível, espreita. A missão é delicada – se a coisa não for bem feita, arriscamo-nos a um chorrilho de perguntas, a uma crise de ansiedade ou a um clima permanente de pânico –, mas pior será insistir em colocar os nossos filhos numa redoma de vidro ou num conto de fadas. Infelizmente, há maus, sim, e maus com causas, armas e inimigos cada vez mais inacreditáveis e inconcebíveis.

Mas nem tudo são más notícias. Afinal, cada vez temos mais “bons”, gente empenhada em não dar tréguas ao terror e a não baixar os braços na procura de um mundo melhor. E mais governantes, políticos, espiões, detetives e polícias que não regateiam esforços para apanhar os ”maus”. Há, obviamente, quem discorde e vislumbre cenários bem mais pessimistas e desfechos mais desastrosos, mas é nisto que temos que acreditar e é por isto que temos que lutar. Para que as nossas crianças possam crescer saudáveis, felizes… e sem medo.


Férias diferentes
As férias estão à porta e a quebra das rotinas, tal como tudo o que sai da norma, pode ser um bom pretexto para enraizar novos hábitos. Por isso, numa altura em que as estatísticas voltam  a alertar-nos para os perigos do sedentarismo (e a realidade nos mostra o isolamento crescente de uma sociedade sempre “ligada”), deixamos sugestões para experimentar dias (e gestos!) diferentes (e mais próximos) em família. Na esperança de que a moda pegue… e alastre. Boas Férias!


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