Atravessar a rua sozinho só aos 14?

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Uma situação aparentemente tão simples como atravessar a rua apenas deve ser deixada ao critério dos mais novos por volta dos 14 anos. Quem o afirma são investigadores norte-americanos, para os quais a aquisição das capacidades motoras e de avaliação espacial para o fazer em segurança não estão suficientemente desenvolvidas nos humanos antes da adolescência. Assim, defendem que até essa altura, as crianças devam ser sempre acompanhadas quando ‘enfrentam’ o tráfego.

Os cientistas da Universidade do Iowa colocaram crianças e jovens entre os seis e os 14 anos num simulador sofisticado de uma rua movimentada e pediram-lhes para atravessarem 20 vezes e com múltiplas situações de intensidade e velocidade dos veículos. Só os mais velhos do grupo etário conseguiram fazê-lo sem problemas em 100 por cento dos casos, enquanto oito por cento das crianças de seis anos teriam sido atingidas se a situação fosse real.

Curiosamente, as crianças mais pequenas escolhem os mesmos intervalos de tempo e espaço entre os veículos para atravessarem. O problema é que não só são mais lentos a iniciar o atravessamento como “lhes falta o sentido de perceção sobre a forma como o veículo se move, em relação à velocidade e à capacidade de travagem”, revela Elizabeth O’Neal, uma das autoras da investigação. E são estas duas circunstâncias que aumentam o risco de problemas.

Como é quase impossível evitar que as crianças atravessem sozinhas a rua antes dos 14 anos, a equipa de psicólogos e neurocientistas recomenda que os adultos lhes ensinem a serem mais pacientes e a escolherem intervalos maiores entre os veículos, mesmo que isso signifique “ensinar pelo exemplo”. Em paralelo, os planeadores urbanos deveriam diagnosticar as zonas mais usadas pelas crianças – por exemplo, ao redor das escolas ou de equipamentos desportivos – e reforçar a sinalização automóvel e pedestre.


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