Vacinas: um dos melhores programas

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Portugal tem um dos melhores Programas de Vacinação a funcionar há mais de 50 anos. Em 2017 sofreu algumas modificações. Saiba quais.


As vacinas representam um dos principais ganhos de saúde em todo o mundo. Graças a elas a mortalidade infantil diminuiu drasticamente. Portugal dispõe, desde 1965, de um conjunto de vacinas que são consideradas fundamentais para todas as crianças. Elas são seguras e eficazes na prevenção de doenças graves que poderiam provocar a morte ou consequências graves em qualquer um.

Este grupo de vacinas tem gradualmente vindo a crescer e a modificar-se. No início era composto por apenas seis vacinas (tuberculose, difteria, tétano, tosse convulsa, poliomielite e varíola). Hoje protege para treze doenças que praticamente deixaram de existir entre nós.

De facto, a história do Programa Nacional de Vacinação tem sido uma história de sucesso. Uma doença foi completamente erradicada: a varíola, que tantas mortes provocou em todo o mundo. Outras foram praticamente eliminadas como o sarampo, difteria, rubéola, poliomielite e tétano em bebés. E muitas outras parecem controladas como a tuberculose, tétano em adultos, papeira, tosse convulsa, hepatite B e muitas meningites (provocadas pelas bactérias meningococo e hemofilus, incluídas nas vacinas). Por fim, grandes expectativas existem em relação às vacinas recentemente introduzidas no Programa, como a do cancro do colo do útero e a vacina do pneumococo, dirigida a muitas pneumonias e otites.


As vacinas do PNV

O Programa Nacional de Vacinação atualmente em vigor em Portugal inclui as vacinas contra as seguintes doenças:

• Tuberculose

• Hepatite B

• Difteria

• Tétano

• Tosse convulsa

• Hemofilus B

• Poliomielite

• Sarampo

• Papeira

• Rubéola

• Meningococo C

• Pneumococo

• Vírus do Papiloma Humano (cancro do colo do útero)


Para cada vacina são dadas uma ou mais doses consoante aquilo que os médicos sabem ser necessário para que o organismo da criança fique devidamente ensinado a combater cada uma das infeções. A maioria das vacinas é dada no primeiro ano e meio de vida, para que as defesas possam começar a ser criadas logo desde cedo.

No boletim de vacinas de cada criança, o nome das vacinas não está escrito por extenso. Em vez disso aparecem umas siglas esquisitas. Veja a que correspondem:


BCG - Tuberculose

VHB - Hepatite B

DTPa - Difteria, Tétano e Tosse convulsa

Hib - Hemofilus B

VIP - Poliomielite

VASPR -  Sarampo, Papeira e Rubéola

MenC -  Meningococo C

Pn13 - Pneumococo

HPV - Vírus do Papiloma Humano (cancro do colo do útero)

Td - Tétano e Difteria


As vacinas combinadas

Para que a criança não tenha que ser “torturada” com um grande número de injeções, algumas vacinas são dadas em conjunto, ou seja, numa só injeção. São exemplos:

Vacina Pentavalente: vacina única para Difteria, Tétano, Tosse Convulsa, Hemofilus B e Poliomielite

Vacina Tetravalente: vacina única para Difteria, Tétano, Tosse Convulsa e Hemofilus B

Vacina Tetravalente: vacina única para Difteria, Tétano, Tosse Convulsa e Poliomielite

Vacina Trivalente: vacina única para Sarampo, Papeira e Rubéola


O que aconteceu  de novo

Desde janeiro de 2017 algumas coisas mudaram no Programa Nacional de Vacinação. O objetivo será simplificar ao mesmo tempo que se aumenta a proteção de algumas doenças em particular.


As principais alterações que entraram em vigor em janeiro de 2017 foram:

1. A vacina contra a tuberculose deixou de fazer parte do Programa geral.

A partir de agora é uma vacina apenas administrada a crianças que pertençam a um grupo de risco, ou seja que pertençam a famílias onde a probabilidade de contrairem tuberculose será maior. A tuberculose tem hoje uma baixa incidência em Portugal e dispomos de um sistema de saúde em que os poucos casos que são detetados o são de forma precoce. E estes casos são rapidamente e eficazmente tratados. Por isso mesmo já não se justifica vacinar todas as crianças mas apenas aquelas que correm um maior risco.


2. Uma nova vacina combinada

Com o objetivo de diminuir o número de injeções que as crianças têm de fazer quando vão fazer as vacinas, principalmente aos dois e aos seis meses, vai surgir uma nova vacina que é uma verdadeira 6 em 1. Será a vacina hexavalente, contra a Difteria, Tétano, Tosse Convulsa, Hemofilus B, Poliomielite e Hepatite B.


3. Vacinação da grávida contra a tosse convulsa

A maioria dos casos de tosse convulsa surge em bebés muito pequenos, antes dos dois meses, uma vez que a primeira dose da vacina contra esta doença é dada exatamente nessa idade. Ao vacinar uma mulher grávida ela vai produzir defesas contra a tosse convulsa que durante a gravidez passam para o bebé. Assim, quando este nascer vai estar já protegido contra esta doença, pelo menos nos primeiros meses até fazer a primeira dose da vacina.


4. A vacina dos 5-6 anos vai passar a ser aos 5 anos

Esta era já uma reivindicação antiga. Ter dois anos inteiros para fazer as vacinas levou muitas vezes a esquecimentos. Agora vai passar a ser aos cinco anos, ponto final. Isto significa que ao entrar para o primeiro ciclo as vacinas têm de estar todas feitas, sem exceção.

 

5. A vacina contra o HPV (que provoca o cancro do colo do útero) vai ser mais forte.

Em vez de proteger contra quatro tipos de vírus, como acontece actualmente, vai passar a proteger contra nove tipos de HPV. Assim, o grau de proteção será maior.


6. A vacina contra o tétano vai ser dada em novas idades

A vacina contra o tétano, que era dada aos 10 anos e depois (pelo menos teoricamente...) de 10 em 10 anos, passou a ser dada aos 10, 25, 45 e 65 anos, e só a partir daí será de 10 em 10 anos. Procura-se que a memorização das datas seja mais fácil e que existam menos “esquecimentos”.


7. Vacina contra o Meningococo B

para algumas crianças

A nova vacina contra o Meningococo B não é incluída no Programa Nacional de Vacinação, mas vai ser dada gratuitamente a crianças que pertençam a determinados grupos de risco, como as crianças com defeitos do seu sistema imunitário e que, por isso, estão menos protegidas contra as infeções.


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