Quando é que podem ficar sozinhos em casa?

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A primeira vez em que as crianças ou os adolescentes ficam sozinhos em casa é um marco para toda a família. Os mais novos sentem ter conquistado mais um patamar de autonomia e os adultos oscilam entre a preocupação – mais ou menos disfarçada – sobre o que poderá acontecer naqueles minutos ou horas e o orgulho em perceber que eles estão crescidos e conseguem assumir cada vez mais responsabilidades.

Mas perceber quando é chegado o momento de os deixar sem supervisão não é sempre fácil. Então como fazer? Muitas vezes é a logística quotidiana da família que impõe a mudança, por exemplo porque os horários da escola são incompatíveis com o trabalho dos pais, levando a que os mais novos passem algum tempo a sós. No entanto, mesmo que as coisas estejam organizadas de modo a que haja sempre um adulto presente, chega o dia que estas ‘asas’ vão ser utilizadas.

Para Patti Cancellier, especialista britânica em dinâmicas familiares, a altura de deixar uma criança em casa sem adultos depende, essencialmente, da sua maturidade, que pode ter pouco a ver com a idade. “Há crianças de dez anos absolutamente preparadas para o fazer e adolescentes de 14 anos que se tornam autênticos ‘perigos’ para si mesmos e até para os irmãos mais novos. Cabe aos adultos responsáveis fazer essa avaliação e decidir em conformidade”.

Para o mesmo responsável, “um dos primeiros sinais que os mais novos podem estar preparados emocionalmente é quando eles próprios pedem para ficar em casa se o ‘programa’ no exterior não lhes interessa. Isso mostra que já não têm receio e estão convictos que conseguem lidar com o que possa acontecer durante o tempo em que estão a sós”. É tudo uma questão “de personalidade e das responsabilidades que assumem”.

Uma estratégia defendida por Patti Cancellier é que este seja um processo “gradual, ou seja, o menos brusco e impositivo possível”. Para tal, defende, há que considerar vários pontos:

1 – Segurança = A criança sabe sair de casa em caso de emergência e procurar ajuda na vizinhança?

2 – Responsabilidade = A criança assume as suas tarefas habitualmente e de forma autónoma? Se sim, é muito provável que respeite as indicações dos pais, mesmo quando estes não estão presentes.

3 – Capacidade cognitiva = A criança está preparada para reagir e gerir situações imprevisíveis, por exemplo, uma falta súbita de eletricidade ou um pequeno corte ou uma queda, sem entrar em pânico?

4 – Capacidade emocional = A criança mostra ansiedade sempre que os adultos regressam a casa ou, pelo contrário, permanece calma e consegue responder ao que ficou planeado, seja fazer os trabalhos de casa ou ver um pouco de televisão?

Quando os adultos considerarem que chegou o momento, é importante perguntarem aos mais novos se desejam ficar em casa sozinhos e não impor um facto consumado. Nas primeiras vezes, é importante que a ausência dos pais não seja muito longa e que esses períodos se vão alargando gradualmente. “Se necessário, cheguem a acordo sobre telefonemas ou troca de mensagens para que todos, adultos e crianças, se sintam acompanhados”, conclui Patti Cancellier.

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