Uma criança autista

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ImageTodos imaginam os seus filhos como bons alunos na escola, a correr e a brincar com outras crianças, a falar pelos cotovelos ou a fazer birras. Ter uma criança diferente pode ser difícil de aceitar. Principalmente quando essa criança tem características que a afastam do mundo dos outros, inclusive do mundo dos seus pais. Ter um filho autista é um desafio que ninguém pretende, mas por que alguns passam. É disso que vamos falar hoje.

Alguns relatos soltos
A descrição dos pais do Gonçalo, de quatro anos, é sugestiva. É uma criança sozinha. Vive no seu mundo. Tem uma enorme dificuldade em fazer amigos porque está sempre metido consigo próprio. Muitas vezes não responde quando o chamamos.

A maioria das vezes não olha directamente para nós e parece focar algo no infinito. E sorrir, isso só por milagre. Parece não ter interesse nas brincadeiras das outras crianças e tem uma enorme dificuldade em comunicar com elas. Muitas vezes, tenho a sensação de que não o faz de propósito, simplesmente não é capaz de estabelecer contacto com outras pessoas. Não temos dúvidas que, para ele, a qualidade de um relacionamento é incomparavelmente mais importante que o número de amigos.

A Catarina, de cinco anos, sempre teve dificuldades na linguagem. Com um ano de vida ainda não palrava. Pelos dezoito meses ainda não dizia uma única palavra e aos dois anos, quando as restantes crianças da escola já se faziam entender razoavelmente, ela ainda apenas repetia os sons. Chegada aos três anos não consegue construir frases com mais do que 3 palavras e por isso não é capaz de comunicar de forma eficaz com os seus colegas ou irmãos.

A mãe da Rita anda desesperada pois a sua filha não consegue evitar fazer repetidamente movimentos de rodar as mãos uma sobre a outra, como se de um tique se tratasse. Para a Rita, tudo deve obedecer a regras precisas.

A forma como se veste, ou como se despe, aquilo que deve ser o seu pequeno-almoço, o local dos móveis do seu quarto ou a forma como os livros estão arrumados, de forma decrescente de altura, ao longo das prateleiras. Qualquer alteração a estas regras e a Rita torna-se extremamente ansiosa. Ultimamente começou a querer que a mãe vestisse sempre a mesma saia e faz birra quando a mãe veste algo diferente.

A Vera nunca foi uma criança completamente normal. Talvez aquilo que chamasse mais atenção fosse o facto de ser um pouco preguiçosa. Começou a sentar-se mais tarde, nunca gatinhou, foi necessário um longo período até se saber apoiar de pé e começou a andar quando os pais já estavam desesperados, por volta dos 18 meses.

Com 3 anos e continua a necessitar de tomar diariamente um laxante para que os intestinos funcionem correctamente. Agora, começaram a surgir os comportamentos repetitivos, a dificuldade na linguagem e a extrema dificuldade em lidar com outros, fechando-se no seu mundo.

Quais as principais características de uma criança autista?
O autismo nasce com a criança, mas pode ser aparente em diferentes idades, consoante a gravidade e a profundidade das suas manifestações. Alguns pais notam alguns sinais ainda no primeiro ou segundo ano de vida dos seus filhos, e na maioria dos casos o autismo torna-se evidente antes da criança ter atingido os três anos de idade.

É uma doença contínua, sem volta atrás. A partir do momento que se manifesta a criança vai ficar com ela para toda a vida.

As suas principais características são uma grande dificuldade em desenvolver relações sociais com outras crianças ou adultos, enormes dificuldades na comunicação com os outros e a existência de comportamentos limitados e muito repetitivos.

Fisicamente, pelo contrário, são crianças com uma aparência completamente normal e saudável. A incapacidade em desenvolver as relações sociais é uma das marcas características da criança autista.

A incapacidade em desenvolver as relações sociais é uma das marcas características da criança autista. A criança vive como que fechada no seu mundo e não entende que outros possam ter um ponto de vista ou uma opinião diferente da sua.



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