Crianças diabéticas discriminadas
Quarta, 16 Novembro 2011 | Visto - 492
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A Confederação de Pais confirmou as denúncias feitas pela Federação Internacional da Diabetes - Região Europa de discriminação de crianças diabéticas nalgumas escolas portuguesas. Em particular, a CONFAP aponta os casos de duas crianças, de oito e treze anos, de escolas das zonas de Gaia e Setúbal, alegadamente discriminadas por serem diabéticas, tendo um dos alunos ameaçado suicidar-se por não aceitar a situação. «Estes foram os casos que nos chegaram, mas estou convencidíssima que existem muitos mais», disse Maria José Salgueiro, da CONFAP.
Contactada pela Agência Lusa, fonte do Ministério da Educação e Ciência explicou que «este tipo de situações deve ser comunicada às direções regionais de educação para posterior averiguação e tomada das diligências consideradas adequadas». Segundo a responsável da CONFAP, nestes casos, «o que se passa é uma falta de conhecimento, de boa vontade e falta de ligação entre equipas, nomeadamente com os centros de saúde». Numa das escolas onde ocorreu um dos casos, «havia uma desresponsabilização completa».
«É uma menina de oito anos que já fazia a injeção, já se auto-injetava, mas precisava que alguém durante o dia fosse ajudando no controle» da medição dos níveis de açúcar no sangue. «Ninguém na escola queria assumir essa função, o que se tornou um bocadinho dramático para os pais. A mãe estava a pensar deixar de trabalhar e ficar à porta da escola para garantir a vida da filha», disse Maria José Salgueiro. A criança estava, inclusive, «impedida» de participar em passeios e visitas de estudo, acrescentou. Na sequência de reuniões com a direção da escola, associação de pais, centro de saúde e delegado de saúde «conseguiu chegar-se a um entendimento. A escola não necessita de injetar a menina, basta que colabore no controle» do seu estado de saúde, explicou.
Coma e bullying
Outra situação que a CONFAP ainda está a acompanhar está relacionada com um rapaz de 13 anos que «já foi parar várias vezes ao hospital em coma». «É um caso dramático, porque era também vítima de bullying, o que obrigou à sua transferência para outro estabelecimento de ensino. O rapaz não queria ir à escola e chegou a dizer à mãe que se queria matar. É uma criança muito deprimida e revoltada com a sua doença», disse a mesma responsável. Maria José Salgueiro lamentou que na escola «ninguém se tenha preocupado com a parte emocional daquela criança. Pelo contrário, preocupavam-se apenas em puni-lo sempre que extravasava a sua revolta».
No estabelecimento de ensino que o acolheu, «as coisas estão a correr melhor” disse, considerando que “os professores não têm de saber dar injeções, mas devem ajudar os seus alunos com os meios que tem à sua volta, como os centros de saúde, por exemplo».
Numa declaração enviada à Lusa, a propósito do Dia Mundial da Diabetes, o presidente da Federação Internacional da Diabetes (IDF) - Região Europa, João Nabais, defendeu que «a discriminação das crianças com diabetes é alarmante e uma realidade que ainda existe». «Os problemas vão desde a recusa no acesso a creches ou escolas pré-primárias ou não dar as condições necessárias para a administração de insulina ou a medição dos níveis de açúcar no sangue, passando pela exclusão nas atividades desportivas e viagens escolares», acrescentou.



