Pilinhas e Pipis

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Mais do que os pais, as mães preocupam-se muito com os tamanhos, os estreitamentos, as infecções das pilinhas. Já as alterações anatómicas ou pequenas malformações do pipi geram menos questões. Todavia, a observação deverá fazer parte dos cuidados normais de saúde.


A pilinha


Variações do tamanho do pénis
O tamanho do pénis não está relacionado com o desempenho sexual ou com a capacidade reprodutiva.
Em cada mil rapazes, pode surgir uma situação designada por micropénis, ou seja, um pénis pequeno em termos absolutos – em Portugal nascerão cerca de cinquenta bebés por ano com esta condição. As causas podem ser muitas, passando até pela mais completa normalidade. Mais raramente, o micropénis pode estar associado a uma doença genética ou a deficiências endócrinas que afectam a testosterona.


Puxar a pilinha?
O que fazer à pilinha? Puxa-se? Não se puxa? Deve-se fazer a circuncisão? Sim ou não? A pilinha é, para os pais (para as mães, principalmente!), uma fonte de problemas. E não deverá ser, dado que se trata de um órgão como qualquer outro, devendo ser sujeito às mesmas regras: não agressão, manipulação cuidadosa, deixar evoluir com a idade e higiene, embora se deva manter o seu carácter íntimo e o pudor normal entre as pessoas.
Na esmagadora maioria dos recém-nascidos a pilinha está apertada (chama-se «fimose fisiológica») e só em cerca de quatro por cento dos recém-nascidos se consegue puxar totalmente a pele para trás. Ao ano de idade ainda 50 por cento das crianças tem um aperto. Com o decorrer do tempo a fimose começa a desaparecer e na maioria dos casos, com alguma ajuda por parte dos pais, a pilinha abre-se e tudo fica como deve ser.
A partir do ano de idade, pode começar a puxar-se, muito cautelosamente, nunca ultrapassando o limite que os pais sentem que é o momento em que continuar a puxar «é de mais» – após vencer uma ligeira resistência, surge outra em que forçar seria traumatizante.
Se até aos três anos e meio, mais coisa menos coisa, a situação não estiver resolvida então provavelmente já necessitará da ajuda de um cirurgião pediatra, que puxará (e deverá ser ele) com algum aparato, mas com eficácia, a pilinha para trás.
Deve-se também lavar bem a zona do escroto, dado que é grande e enrugada, sobretudo nos mais novos, e convém retirar tudo o que ficou da contaminação com as fraldas, se a criança ainda as usa.


As aderências balano-prepuciais
Convém distinguir duas coisas: uma o aperto (fimose), outra a situação em que a pele não vem para trás porque as duas camadas estão aderentes (chamada «aderências balano--prepuciais», ou seja, entre a glande e o prepúcio). É esta última que pode ser resolvida sem recurso a cirurgia.
Esperar muito tempo pode conduzir a uma adesão maior, até porque se começam a formar secreções que, tipo «super-cola» pioram a situação. E como se criam bolas de sebo (chamadas «esmegma»), os pais assustam-se porque vêem uns altos brancos por debaixo da pele. A manterem-se, podem doer ou infectar.
A manobra de desfazer as aderências é aparatosa. A criança debate-se, como é natural, não apenas porque está agarrada, mas porque sente que lhe estão a mexer num sítio sensível. Dói um pouco, ou até faz mais impressão do que dói, mas as crianças não querem saber dessas distinções semânticas e queixam-se a sério, esperneiam e choram.
O desfazer das aderências faz sangrar, o que ainda impressiona mais os pais (e sobretudo as mães), acabando a «sessão» num ambiente algo desolador. Mas não se esqueçam que posteriormente será pior, até do ponto de vista psicológico. É indispensável, para que o resultado seja definitivo, que os pais, nas duas a três semanas seguintes, continuem a manobra, puxando totalmente para trás e aplicando vaselina, para que as camadas de pele fiquem lubrificadas e não voltem a aderir.
Muitas vezes, depois da intervenção, as crianças queixam-se que dói a fazer xixi, não querem deixar mexer, os pais não conseguem fazê-lo e a situação regressa ao mesmo. Custa, claro, ver um filho a sofrer, mas se não for assim provavelmente ter-se-á de recorrer a uma intervenção cirúrgica, com tudo o que acarreta, designadamente anestesia geral.
Também é verdade que, passados esses dias, as crianças ficam «inchadas» por passarem a ter uma pilinha igual à do pai ou dos mais velhos. Sentem-se uns homens, e isso deverá ser acentuado, especialmente quando estão a fazer xixi de pé. É bom ensiná-los que essa zona deve ser lavada, como qualquer outra, até porque o acumular de secreções é mais provável.Sem desfazer totalmente a sensibilidade psicológica e mítica que a pilinha tem, não se deve entrar no tabu nem esquecer que é um órgão como qualquer outro, em termos de necessidades de higiene.

Circuncisão
Há vários argumentos para se fazer a circuncisão – médicos, culturais e religiosos (como no judaísmo, ao oitavo dia depois do nascimento, ou no islamismo, mais perto dos cinco anos). Um aspecto fundamental é que, a fazer, deverá sê-lo num meio hospitalar, com todos os cuidados de assepsia, porque o maior risco são as infecções.
A circuncisão pode justificar-se, nos casos em que o aperto não evolui passados os três, quatro anos de idade, ou em que ocorrem infecções frequentes ou dificuldade em urinar.
Mesmo quando se usam anestesias, são métodos muito rápidos e que não têm nada a ver com as anestesias das grandes operações cirúrgicas. Depois da circuncisão a ponta do pénis pode ficar amarelada, durante uns dias. O importante é combater a infecção e seguir as instruções que o médico que operou recomendar. Geralmente, após sete a dez dias a cicatrização é completa.
Os problemas que podem surgir depois da circuncisão são vários, e se aparecerem os pais deverão contactar o médico: dificuldade em urinar, hemorragia persistente, infecção no pénis que aumenta em três a cinco dias.




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