Quando os bebés precisam de ajuda

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Há crianças com perturbações de neurodesenvolvimento que precisam de ajuda especializada. Conheça os sinais de alarme e o que pode fazer… desde muito cedo.


Para que a criança se desenvolva harmoniosamente é importante incentivá-la a explorar o mundo à sua volta, através dos diferentes sentidos. No entanto, apesar de uma estimulação adequada no contexto envolvente, podem surgir dificuldades numa ou em diversas áreas. Por isso, é essencial estar atento e partilhar informação com os diferentes intervenientes no crescimento (familiares, educadores, pediatra, entre outros).

Face a alguma dificuldade ou preocupação, será importante recorrer a um profissional de saúde especializado em neurodesenvolvimento para que seja efetuada uma avaliação. E quanto mais cedo melhor: quanto mais precoce for o diagnóstico maior será o sucesso da intervenção.

A elaboração de um programa de intervenção deve ter início assim que sejam detetadas as primeiras alterações, ou mesmo antes, quando existem fatores de risco importantes como é o caso das crianças prematuras. Independentemente do modelo escolhido, terá sempre que ser centrado na criança e adequado ao seu perfil funcional.
Falamos de perturbações do neurodesenvolvimento, um grupo de patologias que se manifestam por alterações no desenvolvimento e/ou comportamento e que tipicamente surgem nos primeiros anos de vida.
Estão incluídas nas perturbações do neurodesenvolvimento quer limitações específicas na aprendizagem quer situações mais complexas como os défices intelectuais ou das capacidades sociais (ver caixa).


Sinais de alarme  
Há sinais que se manifestam desde cedo, outros que só são percetíveis (e compreendidos) passados alguns meses (ou mesmo anos) de vida Quais os sinais a que devemos estar atentos?

1 mês
- Não tenta controlar a cabeça quando está na posição sentada; apresenta híper ou hipotonia quando se encontra na posição de pé; não segue a cara humana; não vira os olhos e/ou cabeça face ao som da voz humana; não se mantém nem por breves períodos em situação de alerta.

3 meses

- Não fixa nem segue objetos; não se ri; não tem qualquer controlo de cabeça; tem sempre as mãos fechadas; sobressalta ao menor ruído; chora ou grita quando é tocado; pobreza de movimentos.

6 meses
- Ausência de controlo de cabeça; membros inferiores rígidos e passagem direta à posição de pé quando se tenta sentar; assimetrias; não olha nem pega em objetos, não reage a sons, não vocaliza; desinteresse pelo ambiente; irritabilidade; estrabismo.

9 meses
- Não se senta; permanece sentado e imóvel sem procurar mudar de posição; assimetrias; sem preensão palmar (não leva objetos à boca); não reage a sons; vocaliza monotonamente ou perde vocalização; apático ou sem relação com familiares; engasga-se com facilidade; estrabismo.

12 meses

- Não aguenta o peso das pernas; permanece imóvel e não muda de posição; assimetrias; não pega em brinquedos ou fá-lo só com uma mão; não brinca nem estabelece contacto; não mastiga.

18 meses    
- Não se põe de pé e não suporta o peso sobre as pernas; anda sempre em pontas de pés; assimetrias: não faz pinça; não responde quando o chamam; não vocaliza espontaneamente; não se interessa pelo que o rodeia; deita os objetos fora ou leva-os sistematicamente à boca; estrabismo.
24 meses    
l Não anda sozinho; deita os objetos fora; não constrói nada; não parece compreender o que se lhe diz;  não pronuncia palavras inteligíveis; não se interessa pelo que está ao seu redor; não estabelece contacto; não procura imitar; estrabismo.

36 meses (3 anos)    
- Anda sistematicamente em pontas dos pés; não compreende o que lhe dizem; não combina duas palavras; não utiliza os objetos de forma funcional; não tenta fazer algo criativo ou construtivo; não interage com os outros nem socializa; não mostra os objetos por iniciativa;  não faz recurso à comunicação não verbal.

48 meses (4 anos)
- Não atira uma bola, não salta com os pés juntos nem anda de triciclo; não agarra num lápis de forma correta; não produz frases de três ou mais palavras; não utiliza pronomes pessoais e/ou preposições;  utiliza linguagem inteligível; faz trocas fonéticas e apresenta gaguez; não responde ou ignora desconhecidos; não apresenta interesse em relação ao jogo simbólico; apresenta resistência relativamente às rotinas de higiene, sono e vestir/despir; tem ataques de fúria; apresenta baixa resistência à frustração; atividade excessiva e dificuldade de concentração; é muito distraído; estrabismo ou suspeita de défice visual.

60 meses (5 anos)

- Não é capaz de andar sobre uma linha; não consegue copiar uma cruz; não é capaz de seguir ordens com duas instruções; não produz frases corretas do ponto de vista gramatical;  usa linguagem inteligível e faz trocas fonéticas; apresenta gaguez, medo, timidez ou agressividade excessiva; angústia de separação dos pais ainda excessivamente presente; revela desinteresse em brincar com outras crianças e/ou falta de interesse pelo uso da imaginação e/ou imitação no jogo; ausência de resposta perante os adultos; atividade excessiva; é muito distraído e tem dificuldades em concentrar-se; estrabismo ou suspeita de défice visual.


O que pode fazer
Para promover um neurodesenvolvimento harmonioso da criança, seguem algumas sugestões que poderá pôr em prática:
- Coloque o seu filho em diferentes posições;
- Não o deixe muito tempo no ovinho;
- Privilegie a posição de barriga para baixo na hora do brincar;
- Tenha atenção para que os brinquedos não estejam sempre do mesmo lado;
- Utilize brinquedos com luzes e sons e de texturas diferentes;
- Selecione os brinquedos e não tenha muita quantidade à disposição do seu filhos;
- Aproveite as rotinas para interagir com o seu bebé, brinque com ele no banho, fale com ele enquanto muda a fralda e o veste. Aproveite ainda para lhe ensinar as diferentes partes do corpo durante a realização destas rotinas;
- Habitue o seu filho a diferentes sabores e texturas de alimentos;
- Brinque, utilizando os brinquedos/ jogos de formas diferentes;
-l Rabisque/pinte/desenhe com diferentes materiais (lápis, canetas, tintas, digitintas);
- Brinque com legos, puzzles e jogos de encaixe;
- Faça modelagem com diferentes materiais (barro, plasticina, massa de cores);
- Leia histórias para e com o seu filho. Criem as vossas próprias histórias.


O que são perturbações do neurodesenvolvimento?

Incluem incapacidades intelectuais (desenvolvimento Intelectual, atraso global do desenvolvimento), perturbações  da comunicação (linguagem, som da fala, gaguez), de aprendizagem (dislexia, disortografia, disgrafia, discalculia), motoras (coordenação) de movimentos estereotipados, tiques e outras não especificadas. Mantêm-se ao longo do tempo, mas é frequente uma evolução com aproximação ou distanciamento das etapas do desenvolvimento típico para a idade da criança, assim como a associação a outras perturbações (a presença de dois ou mais diagnósticos na mesma criança é comum).A etiologia das perturbações do neurodesenvolvimento é multifatorial e engloba fatores genéticos, biológicos e ambientais sendo, no entanto, conhecidos fatores de risco, entre os quais: baixo peso ao nascimento, restrição do crescimento fetal, prematuridade, doença grave/sépsis e lesões neurológicas, entre outras.


Sistema de Intervenção Precoce

O Sistema Nacional de Intervenção Precoce da Infância (SNIPI) criado em 2009 (decreto-Lei nº281/2009) tem como missão garantir Intervenção Precoce na Infância a crianças com deficiência ou em risco de atraso grave de neurodesenvolvimento. A partir dos seis anos, o apoio multidisciplinar a estas crianças passa a ser mais direcionado para o apoio pedagógico. Contudo, muitas vezes, os recursos são limitados face às necessidades existentes, levando os pais a recorrer por meios próprios a equipas clínicas especializadas.
Estas famílias têm direito a benefícios sociais, nomeadamente subsídios de apoio à família com crianças com deficiência, como seja o subsídio por frequência de estabelecimento de educação especial, nos casos em que o estabelecimento de ensino da área de residência não apresenta a resposta de que a criança necessita (nomeadamente, quanto à intervenção terapêutica especializada). Este subsídio pode acumular com o abono de família, a bonificação de deficiência, a pensão de sobrevivência ou de orfandade.


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