Amo-te!

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Na correria do dia-a-dia, as demonstrações de amor pelos filhos ficam, muitas vezes, perdidas pelo caminho. Mas, para crescerem saudáveis e serem adultos felizes, as crianças precisam de se sentirem amadas. Incondicionalmente. Todos os dias.


Os nossos filhos são o maior amor da nossa vida, amamo-los incondicionalmente, adoramos estar com eles, brincar com eles, olhar para eles. A paixão que sentimos por eles enche-nos o coração de alegria. Mas será que eles sentem isso? Será que os nossos filhos se sentem todos os dias amados? Será que conseguimos demonstrar o nosso amor por eles sem deixar margem para dúvidas? A resposta parece fácil. Claro que sim, queremos acreditar que sim. Mas talvez não seja assim tão fácil. Vários autores e especialistas em crianças defendem que nem sempre os pais transmitem o amor que sentem pelos filhos de uma forma convincente.
«Torna-se por vezes dramático ver como os pais que amam os filhos – e quase todos os pais amam os seus filhos – não são capazes de lhes transmitir esse amor», escreve Elsa Punset, directora do Laboratório de Aprendizagem Social e Emocional da Universidade Camilo José Cela, em Espanha, no livro «Bússola para navegadores emocionais» (Editora Objectiva). Segundo a autora, os pais expressam com frequência o seu amor de forma condicional. «Se amamos os nossos filhos só quando nos fazem a vontade (quer dizer, com amor condicional), não se sentirão genuinamente queridos. Gostamos deles em troca de qualquer coisa», explica. «Desta forma, quando não conseguirem, ou não quiserem cumprir as nossas expectativas, sentir-se-ão incompetentes e indignos de ser amados», continua.
Uma das maiores provas de amor que podemos dar aos nossos filhos, defende Deolinda Barata, presidente da secção de Pediatria Social da Sociedade Portuguesa de Pediatria, é precisamente: «Aceitá-los como são. Incentivando-os a alcançar os melhores lugares, claro, mas sem criar ansiedades. Aceitar as suas limitações e ajudá-los a ultrapassá-las sem provocar sofrimento».
E isto não quer dizer que amor seja confundido com permissividade. «Muitos pais pensam que as demonstrações de afectividade podem contribuir para a falta de disciplina, mas é exactamente o contrário. Se os pais são muito afectivos, os filhos entendem melhor as regras», continua a pediatra, que trabalhou muitos anos com comissões de protecção de menores.
Inês Afonso Marques, psicóloga clínica, concorda: «A expressão do amor e do carinho não compromete a disciplina. A criança sabe que os pais gostam dela quando impõem limites, pois isso dá uma sensação de segurança, de respeito, de interesse, ou seja, de amor».



Amor, beijos e atenção
Mas se perguntarmos aos pais o que fazem para demonstrar aos filhos que os amam, nenhum se lembra dos limites. São os beijinhos, os abraços, as declarações que surgem logo no pensamento. «Digo-lhe todos os dias que amo», conta Sofia, mãe da Ana, oito anos. «Dou-lhe muitos beijinhos todos os dias. Às vezes, vamos no elevador e vou o tempo todo a dar-lhe beijinhos», diz Maria, mãe da Constança, 12 anos.
Obviamente, as palavras e os beijinhos são fundamentais para mostrar o amor pelos filhos, mas não devem ser únicas. «Outras mensagens menos objectivas também são importantes, como por exemplo: a atenção», lembra Inês Afonso Marques. «Geralmente os pais dão mais atenção às crianças quando elas se portam mal e, como elas gostam de atenção, repetem o mau comportamento. Por isso, é mais importante dar atenção a uma criança noutros momentos, elogiando sempre as suas conquistas, os seus bons comportamentos», explica a psicóloga, que acompanha muitas crianças na clínica privada Oficina de Psicologia.
«Elogio-a, digo-lhe diariamente o quanto me sinto orgulhosa dela e que a melhor coisa que me aconteceu na vida foi ser mãe de uma princesa como ela», diz Sónia, mãe da Lara, dois anos, sem receio de ser lamechas ou de «estragar» a filha com mimo. Alguns dos maiores medos dos pais, mas que, na opinião de Deolinda Barata, não têm fundamento: «O amor pelos nossos filhos é para ser demonstrado sem pudor, nem tabus», diz. «As crianças não ficam mimadas se também lhes forem transmitidas mensagens de autonomia e independência», acrescenta Inês Afonso Marques.
Já lá vai o tempo em que se dizia que muito colo «fazia mal». O pediatra espanhol Carlos González é conhecido pela sua determinação em encorajar os pais a darem muitos mimos aos filhos, a responderem aos seus pedidos sempre que possível e a mostrar-lhes efusivamente o quanto os amam. No seu livro «Bésame mucho, como criar os seus filhos com amor» (Editora Pergaminho), escreve: «Devemos dar toda a atenção possível aos nossos filhos. Nunca será demasiada. Não se pode provocar qualquer “trauma psicológico” por sorrir demasiado a uma criança ou por lhe dizer muitas vezes ”gu-gu”».
Já o contrário, a falta de amor na infância, pode provocar feridas que perduram toda a vida. «Para uma criança ou adolescente se envolver no processo de crescimento e desenvolvimento com todas as potencialidades e capacidades, para ser um adulto feliz é importante haver um sentimento de pertença, é importante que as crianças tenham a convicção de que alguém a protege e que é um porto de abrigo em todos os momentos. É o que se chama o processo de vinculação: pertencer a alguém que gosta muito de nós e que nos apoia incondicionalmente», explica Deolinda Barata. «Sentir que se é amado em criança é essencial para se ser um adulto feliz, assertivo, interactivo, proactivo, com vontade própria», continua, explicando que «ter vontade própria não é ser desafiador, mas sim saber negociar». Inês Afonso Marques acrescenta ainda que o amor é indispensável para «a auto-estima, segurança, curiosidade e disponibilidade». E, obviamente, para a socialização com as outras pessoas: «Se as relações que temos nos primeiros anos de vida forem securizantes, quando formos adultos vamos estar mais disponíveis para nos envolvermos em relações com os outros».



Comentários  

 
#2 rita vidal 09-12-2011 11:56
knk
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#1 rita vidal 09-12-2011 11:55
beijos
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