Um, dois… bum!
Segunda, 21 Novembro 2011 | Visto - 1200
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E, de repente, o bebé transforma-se num ser teimoso, birrento, desafiador. As coisas podem ficar tão feias que há mesmo quem chame a esta fase a primeira adolescência. Respire fundo: os «terríveis dois anos» são essenciais para um desenvolvimento equilibrado.
Miguel tinha acabado de jantar e quis sair da mesa. Como o resto da família ainda se demorava com os petiscos da marisqueira do bairro, e como a porta de entrada estava já fechada, a mãe deixou. O bebé de dois anos e três meses «saltou para o chão, pegou no martelo de comer sapateira, chegou ao pé da prima de cinco anos e deu-lhe uma grande martelada num cotovelo! Foi de tal ordem que ela até ficou atordoada», recorda Carla Fontão. «Instalou-se a confusão. A minha sobrinha chorava, o Miguel chorava porque levou uns bons gritos, a minha sogra queria levar a neta ao hospital… E o mais surpreendente de tudo é que foi a primeira vez que ele foi agressivo. Não estávamos nada à espera».
Pois é. Poucos pais estão preparados para o momento em que a criança afável parece ter sido substituída por um alter-ego malvado, tal qual nos livros de banda desenhada. O «não» surge como palavra preferida e é usado a toda a hora e sob todos os pretextos. Recusa comer a sopa ou a papa. Na creche, a educadora relata episódios de empurrões ou mordidelas nos amigos. As horas do banho ou de deitar são batalhas diárias. E as birras? Assumem proporções grandiosas e levam qualquer pai ou mãe a arrepelar os cabelos. Apetece perguntar: «quem és tu e que fizeste ao meu filho?»
A língua inglesa, tal como é hábito, tem uma expressão que sintetiza esta fase. São os «terrible twos», leia-se «terríveis dois anos», e surgiu porque, regra geral, é nas imediações do segundo aniversário – embora possa surgir vários meses antes ou depois – que a maior parte das crianças manifesta este tipo de atitudes. Alarmados, muitos pais chegam ao consultório do pediatra com fantasmas de perturbações de comportamento ou outros problemas, quando o que se passa é precisamente o contrário. O desenvolvimento do bebé vai de vento em popa e é precisamente por isso que faz a cabeça em água aos adultos.



