O segredo é abraçar e não julgar

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Ter filhos adolescentes garante-nos um verdadeiro curso de diplomacia: saber quando é melhor ficar calado, saber quando falar, quando tratar os assuntos com pinças ou quando a abordagem deve ser à bruta; saber quando a linguagem deve ser mais floreada (quase nunca...) ou mais direta, saber quando elogiar ou quando criticar (também quase nunca...), saber quando abraçar ou quando deixar sozinho, saber quando rir ou quando chorar (isso é que nunca...), saber quando consolar ou quando dar um «abanão».

É claro que se a diplomacia fosse fácil e intuitiva nem o mundo estava no estado em que está nem os pais e os filhos andavam de candeias às avessas. Para se «acertar», é preciso muito bom senso, muito trabalho... e também muita sorte. Se isto é verdade para quase tudo na vida, é particularmente verdade nas relações com adolescentes.

Para os pais, é muito difícil gerir o direito (e o dever!) de os ajudar: a nossa experiência de vida, feliz ou infelizmente, mostra-nos muitas vezes que os nossos filhos estão a enfiar-se numa alhada – estamos mesmo a ver o que vai acontecer e não é difícil prever como vai acabar. Queremos desesperadamente evitar que sofram e a nossa vontade é avisá-los e aconselhá-los – mas é mais do que certo que as nossas boas intenções serão sentidas como uma intolerável interferência na sua privacidade e cairão no saco mais roto que imaginar se possa. Até ao dia... aí sim, vão lembrar-se do que lhes dissemos mas desejarão ardentemente que nós nos tenhamos esquecido – não há nada mais difícil para um adolescente do que articular perante os pais «tinham razão». E, para nós, pais, não há nada mais difícil do que calar muito lá no fundo o «bem te avisei...» - expressão a evitar tanto quanto aquele ar de quem já tem muita sabedoria de vida que os faz revirar os olhos de desespero. Resta-nos a consolação de saber que quando nos dão razão sem o assumir, os nossos filhos adolescentes, as nossas crianças-adultos, já aprenderam de certeza a lição e apenas querem sentir da nossa parte uma solidariedade discreta, uma compreensão isenta de sermões, uma garantia de que o nosso amor por eles não sofreu um único beliscão devido àquela escorregadela.

Afinal, a nossa missão de pais é deixá-los aprender, para que possam andar sozinhos. E para que o consigam, temos de deixar que caiam, que esfolem os joelhos (só que agora as «esfoladelas» são na alma...), que sofram, que chorem, e que se levantem por eles próprios. Nós cá estaremos para lhes oferecer um ombro de que eles julgam não precisar, mas que sabem que é a grande segurança que têm na vida. E esperar que entendam, quando um dia for a vez deles de serem «o ombro», que o segredo de uma relação bem sucedida entre pais e filhos é abraçar e não julgar.



Comentários  

 
#1 Hassina 25-05-2013 17:08
Talvez... Mas não devemos de passar sempre a mão pela cabeça.... Também devemos dizer quando estão errados faz parte acho que o termo e mais julgar sem condenar.
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