psicologia
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Adaptação difícil à escolinha

alt«Sou mãe de um menino de quatro anos que esteve com a avó até aos três. Entrou para a pré-escola em setembro de 2011 e a adaptação tem sido muito difícil. Apesar de vir da escolinha muito bem disposto e dizer que gosta muito, de manhã acorda, não quer ir e fica na escola todos os dias a chorar. Já tentámos diversas abordagens, desde compensações a castigos mas nada resulta. Tem sido muito complicado lidar com esta situação pelo que gostaria de saber a vossa opinião sobre o que poderei fazer mais...»


altReferiu uma coisa muito importante e talvez a principal. Diz que ele vem da escola «muito bem disposto» e que «gosta muito». Penso que provavelmente o seu filho estará a sentir o que muitas crianças sentem, na fase de adaptação à escola (que pode ser mais ou menos demorada). A dificuldade maior estará em sair de casa e afastar-se dos pais, mais do que ir para a escola. Lidar com essa situação é difícil para os pais, também. Ninguém fica tranquilo a deixar o filho na escola, a chorar. Mas, de facto, ele necessita do seu sorriso tranquilo, para perceber que a mãe o está a deixar bem. Ele aprenderá a ficar bem, à medida que se sentir mais seguro com a sua separação. Com o tempo ele percebe que a mãe volta sempre e que a mãe gosta que ele esteja na escola. A escola é boa para ele. Essa é a mensagem que lhe pode ir passando, não só com palavras calmas, mas também com uma atitude calma. Se compreender esta questão, verá que não há razão para castigos nem compensações. É natural, faz parte da vida como tantas outras mudanças.

Maria João Santos

   

Ciúmes da irmã

alt«Tenho um filho com cinco anos de idade e uma filha de dois e meio. O menino sente muito ciúmes da irmãzinha e quer sempre imitá-la. Quando contrariado, chora e grita muito. Damos-lhe muita atenção mas também limites, retirando privilégios e fazendo-o pensar. Mas nada está a resultar e estou preocupada com a sua saúde emocional. Gostaria de uma opinião.


altOs ciúmes são frequentes. A questão é como gerir as situações da melhor forma e essa, será sempre pelo lado positivo. Em primeiro lugar, não nos podemos esquecer que ele foi o centro de todas as atenções, durante quase três anos. É natural que leve algum tempo a aprender a gerir as suas emoções em relação à irmã e aos pais, e que muito provavelmente podem ser ambivalentes e contraditórias. Para lhe dar alguma segurança, poderá escolher momentos em que possa estar só com ele (sem a irmã). Depois, pode pedir-lhe que ajude a cuidar e a ensinar a irmã. Se ele quer imitar a irmã, deixe-o. Até pode fazer um jogo de «faz-de-conta» e aplicar o humor para que os dois se possam rir e desdramatizar a questão. O mais importante é acompanhá-lo, compreendendo que o que ele está a precisar neste momento é de segurança. É de ter a certeza que os pais continuam a gostar dele, da maneira como ele é. E isso transmite-se com ações, mais do que com palavras.

Maria João Santos

   

Dificuldade a português

alt«Tenho um filho de seis anos que entrou para o primeiro ano. Começou as aulas bem mas agora começou a confundir as vogais e não gosta de admitir que não sabe. Sempre que tento ajudá-lo ele começa a fugir até que agora que tenho o pressionado mais começa a chorar a dizer que confunde as vogais. Gostaria de saber se é normal, visto que só tem mais dificuldade a português.»


altO comportamento do seu filho face à aquisição da leitura e escrita é um sintoma de uma dificuldade que deverá ter a maior das atenções desde já. Penso que é muito importante poder fazer uma avaliação nesta área para que a situação possa ser desde já diagnosticada e para se poder recorrer a uma intervenção adequada, desde o início. Poderá recorrer a uma avaliação na área da neuropsicologia (avaliação das funções executivas), na área da educação especial e reabilitação ou com algum profissional da área da psicologia educacional que trabalhe na área das dificuldades escolares.

Maria João Santos

   

Adaptação difícil

alt«Estou atualmente em França e este ano o meu filho, que faz este mês três anos, entrou para a escolinha. Ele nunca teve uma ama, pois ficou sempre com a minha mãe ou comigo. O problema é que não quer ir para a escola e chora todos os dias. Vomita na escola e mesmo depois de lá estar fica a choramingar a dizer que quer a mamã e não brinca com os outros meninos.»


altUma grande mudança obriga a uma grande adaptação. E uma grande adaptação é demorada. O seu filho necessitará de se sentir seguro. Penso que poderá falar com a educadora, para discutirem e construírem uma intervenção conjunta. Será importante valorizar a escola, as coisas que ele lá faz, fazer tarefas que liguem a casa à escola e vice-versa. Ao mesmo tempo, talvez fosse bom começar a convidar um coleguinha para passar uma tarde em vossa casa, para que ele vá criando laços, aos poucos, num local onde se sente seguro.


Maria João Santos

   

Dificuldades no 1.º ano

alt«Tenho um filho com seis anos que entrou agora para o 1º ano, na escola onde anda desde o infantário. Nunca foi de fácil habituação às novas situações. Preocupam-me duas situações: 1. Desde muito cedo que diz que não consegue fazer qualquer coisa, ou os trabalhos, ou passar um nível de um jogo de computador; 2. De há uns dias para cá, quando chego a casa, começa a chorar (indiferente o motivo) e só pára quando o pai chega, fique eu, ou não, ao pé dele.Porquê?»


altPelo que relata, o seu filho não estará a viver momentos tranquilos. Revela dificuldades em manter a sua auto-estima alta e encontrará, possivelmente, dificuldades na escola (a nível das tarefas ou a nível social) que não estará a conseguir resolver adequadamente. Parece-me que o seu filho estará a apelar à sua (da mãe) segurança, tranquilidade e contenção para que possa avançar e fazer o seu caminho, mais seguro. Talvez fosse importante que o seu filho pudesse ser avaliado na área da psicologia clínica para que possa fazer os seus próximos passos de forma mais adequada.

Maria João Santos

   

Saída do país

alt«Tenho duas meninas, uma com sete anos e outra com dois e meio. Vamos imigrar dentro de alguns meses e não sei como lhes vou explicar. Tenho receio que não se adaptem, principalmente a que tem sete anos, pois já anda na escola e uma nova língua e cultura podem ser demais para ela.»


altA vossa decisão está tomada e não depende da vontade das vossas filhas. Foi uma decisão consciente de quem orienta e sabe orientar a vida (a vossa e a delas)! Esta é a realidade que deve ter sempre presente, em qualquer conversa que venha a ter com as suas filhas. Apesar de parecer um «espírito frio», a verdade é que pode transmitir uma enorme segurança.

Deverá dar uma explicação verdadeira, de forma natural, sem qualquer culpa ou insegurança da sua parte. As vossas filhas confiam em vós e estão à espera que os pais sejam os seus orientadores.

Para as questões que refere (dificuldades na adaptação,…), os pais lá estarão para dar um grande suporte emocional, numa nova fase das vossas vidas. Todas as mudanças geram insegurança. Assim, é necessário encará-las com naturalidade, tranquilidade, e ir gerindo aos poucos as dificuldades que forem surgindo, nunca com medos mas com criatividade e segurança.

Maria João Santos

   

Entrada para a creche

alt«Tenho um filho com dois anos feitos em inicio de Outubro, que começou a ir para creche a 15 de Setembro. Até agora ficava com a avó em casa e está a ser muito diíicil a adaptação. De noite sonha e diz «Num goto», que é o que diz quando chegamos à porta da creche. Fica sempre a chorar e passa o dia a chamar pela mamã. Não dorme nem deixa ninguém dormir porque só chora. Desde que foi para lá atira-se para o chão a fazer birras e dá com a cabeça no chãoEm casa a cena é quase igual, embora menos grave. É cedo para ir para a creche?»


altA idade de entrada para a creche difere muito com a organização de cada família. Teoricamente (e as situações nunca se resolvem com base na teoria, simplesmente) a idade em que as crianças beneficiariam mais da entrada para a creche, seria por volta dos três anos. Sensivelmente por esta idade, as crianças começam a olhar para o outro e a beneficiar com a presença dos outros, adquirindo competências sociais.

Claro que há imensas crianças a frequentar as creches com idades muito inferiores e a adaptação é feita sem grandes problemas, embora muitas vezes a fase de adaptação seja complicada.

O seu filho estará a precisar de muita segurança e suporte da sua parte. Ele não precisará de uma solução mas de um suporte para as suas emoções. Precisa que os pais estejam lá para amparar os seus medos, as suas inseguranças, e a sua desorganização emocional. Precisa que o abracem, quando chora, de forma a conter o seu descontrole. Precisa de acreditar que o caminho certo é o de ir para a escola e sentir-se lá bem. A par, os pais poderão conversar com os educadores, para perceber como ele passa o dia. É muito frequente que as crianças sintam dificuldade na separação dos pais e não propriamente em ficar na escola.

Maria João Santos



   

Não quer sair do infantário

«A minha filha, que esteve sempre comigo porque estou desempregada, tem dois anos e meio e entrou para o infantário há quatro dias. Adora lá estar e gosta tanto que quando a vamos buscar não quer vir embora, vira-nos as costas e diz 'sai daqui'. Temos que a aliciar a dizer que vamos aos baloiços ou outra coisa qualquer para querer sair.Fico triste porque não vem a correr ter connosco quando nos vê, mas, por outro lado, é sinal que gosta de lá estar, não é?Será só ao início por ser novidade?


A novidade pode ter o impacto que descreve. É natural que sinta dificuldade com este afastamento, mas é essencial que não se sinta triste com ele. A sua filha está a gostar.
Partilhe com ela essa alegria!

Também esse afastamento é difícil para a sua filha que está a dar os seus primeiros passos na sua autonomia e que não tem outra maneira (ainda não aprendeu consigo) de comunicar, pelo que reage violentamente. Quanto mais ela sentir a sua «tristeza» mais tendência terá de reagir assim, para que possa viver a sua nova alegria – a escola.
Reforço a ideia: Partilhe, genuinamente, essa alegria!

Maria João Santos

   

Sente-se perdido

alt«Tenho um filho de 19 anos repetente do 12º ano (Ciências e Tecnologia) e não tem a menor ideia do que fazer/ser no futuro em termos académicos e/ou profissionais. Não se interessa nem demonstra apetência por actividade alguma.Tem todas as condições em casa (quarto,PC,internet, etc). Sem vícios,calado mas não «fechado», tem sentido de humor e um bom grupo de amigos de há muitos anos, que conheço e já no Ensino Superior. Temos uma boa relação pai/filho. Sente-se perdido e eu impotente.Podem ajudar-nos?»


altÉ muito frequente que os jovens tenham alguma dificuldade em encontrar o seu caminho. Nesta altura, parece importante que o seu filho possa recorrer à ajuda de um técnico com o ajude a lidar com uma provável e compreensível desmotivação. Muitas vezes, o percurso vocacional/profissional e o individual podem misturar-se. Torna-se assim necessário que o seu filho possa compreender as diferenças entre os dois. Pretende-se que possa encontrar forças dentre dele para que se envolva no processo de procura do seu próprio caminho.


Maria João Santos

   

Saudades na escola

alt«Tenho dois filhos com quatro e seis anos.O mais velho desde que o irmão entrou para a escola que diz que não quer ir para a escola, que só quer ficar com a mãe, porque sente muitas saudades. É bom aluno, tem bom comportamento e amigos e bom relacionamento com colegas e professora, que diz que ele anda bem e que depois da mãe ir embora fica bem. Ele diz que corre tudo bem na escola. Como se prolonga todos os dias e há  tanto tempo, já não sei o que fazer pois as manhas são muito difíceis.»


altPrecisava de saber mais pormenores da situação que relata, mas o mais importante é valorizar o facto de ele na escola estar bem. Entretanto, pode ir conversando com o seu filho para que ele possa perceber que ter saudades é bom! Significa que gostam um do outro. Para ajudar a passar este tempo de adaptação a uma nova realidade, pode, por exemplo, ter um «segredo» com ele. Um exemplo: Para ficarem com menos saudades, ele pode ficar com um papelinho escrito por si (no estojo) e a mãe pode ficar com um papel escrito por ele. É apenas um exemplo. Mas na verdade, a vossa relação e criatividade pode ultrapassar esta barreira de uma forma muito melhor, à vossa maneira!


Maria João Santos

   

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Filho na Capa 2011

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