Consultório
Que castigo dar?
Escrito por Mário Cordeiro Quarta, 07 Dezembro 2011 10:53
«Gostava de saber que tipo de castigos posso aplicar à minha filha de cinco anos e 11 meses para além de não ver televisão, não contar história antes de ir para a cama ou de não comer bolachas com chocolate, porque parece que ela já não fica muito incomodada com isso?»
Creio que deverá retirar-lhe privilégios ou mandá-la para o quarto para «pensar», mas creio que a história para adormecer não entra nisso porque é um elemento securizante e de amor de pais e filhos e não uma benesse. Veja que privilégios ela tem de que gosta mais e aja aí mesmo!
Mário Cordeiro
Vacinas são seguras?
Escrito por Mário Cordeiro Terça, 06 Dezembro 2011 17:11
«Tenho lido informação de que as vacinas não são muito eficazes e que a industria farmacêutica esconde os riscos e efeitos secundários,. É seguro vacinar um bebé de um mês de idade?E se houver alguma reação o médico comunica esta reação?»
Não sei onde tem lido essa (des)informação. As vacinas que existem no mercado português são seguras, testadas e devidamente comprovadas relativamente aos efeitos secundários. De qualquer forma, há sempre a vigilância dessas reacções que fazem, em alguns casos, retirar produtos do mercado - nas vacinas e nos brinquedos e em tudo. Os bebés devem ser vacinados segundo o Programa Nacional de Vacinação e com as vacinas que, por razões meramente financeiras do Estado, não estão incluídas neste. Não se esqueçam, leitores: o que mata são as doenças, não as vacinas. Estas são eficazes, perto dos cem por cento. Mas cada casal sabe o que quer, embora também devam pensar em como se vão sentir e na responsabilidade civil se acontecer alguma doença e a criança morrer ou ficar com um handicap muito grave.
Mário Cordeiro
Dificuldade a português
Escrito por Maria João Santos Terça, 22 Novembro 2011 10:13
«Tenho um filho de seis anos que entrou para o primeiro ano. Começou as aulas bem mas agora começou a confundir as vogais e não gosta de admitir que não sabe. Sempre que tento ajudá-lo ele começa a fugir até que agora que tenho o pressionado mais começa a chorar a dizer que confunde as vogais. Gostaria de saber se é normal, visto que só tem mais dificuldade a português.»
O comportamento do seu filho face à aquisição da leitura e escrita é um sintoma de uma dificuldade que deverá ter a maior das atenções desde já. Penso que é muito importante poder fazer uma avaliação nesta área para que a situação possa ser desde já diagnosticada e para se poder recorrer a uma intervenção adequada, desde o início. Poderá recorrer a uma avaliação na área da neuropsicologia (avaliação das funções executivas), na área da educação especial e reabilitação ou com algum profissional da área da psicologia educacional que trabalhe na área das dificuldades escolares.
Maria João Santos
Adaptação difícil
Escrito por Elsa Páscoa Segunda, 21 Novembro 2011 10:16
«Estou atualmente em França e este ano o meu filho, que faz este mês três anos, entrou para a escolinha. Ele nunca teve uma ama, pois ficou sempre com a minha mãe ou comigo. O problema é que não quer ir para a escola e chora todos os dias. Vomita na escola e mesmo depois de lá estar fica a choramingar a dizer que quer a mamã e não brinca com os outros meninos.»
Uma grande mudança obriga a uma grande adaptação. E uma grande adaptação é demorada. O seu filho necessitará de se sentir seguro. Penso que poderá falar com a educadora, para discutirem e construírem uma intervenção conjunta. Será importante valorizar a escola, as coisas que ele lá faz, fazer tarefas que liguem a casa à escola e vice-versa. Ao mesmo tempo, talvez fosse bom começar a convidar um coleguinha para passar uma tarde em vossa casa, para que ele vá criando laços, aos poucos, num local onde se sente seguro.
Maria João Santos
Dificuldades no 1.º ano
Escrito por Maria João Santos Quinta, 17 Novembro 2011 09:59
«Tenho um filho com seis anos que entrou agora para o 1º ano, na escola onde anda desde o infantário. Nunca foi de fácil habituação às novas situações. Preocupam-me duas situações: 1. Desde muito cedo que diz que não consegue fazer qualquer coisa, ou os trabalhos, ou passar um nível de um jogo de computador; 2. De há uns dias para cá, quando chego a casa, começa a chorar (indiferente o motivo) e só pára quando o pai chega, fique eu, ou não, ao pé dele.Porquê?»
Pelo que relata, o seu filho não estará a viver momentos tranquilos. Revela dificuldades em manter a sua auto-estima alta e encontrará, possivelmente, dificuldades na escola (a nível das tarefas ou a nível social) que não estará a conseguir resolver adequadamente. Parece-me que o seu filho estará a apelar à sua (da mãe) segurança, tranquilidade e contenção para que possa avançar e fazer o seu caminho, mais seguro. Talvez fosse importante que o seu filho pudesse ser avaliado na área da psicologia clínica para que possa fazer os seus próximos passos de forma mais adequada.
Maria João Santos
Partilha do tempo dos menores
Escrito por Mónica Bento Nogueira Terça, 15 Novembro 2011 15:51
«Quero passar 50 por cento do tempo livre do meu filho com ele, isto é, compartilhar todas as decisões inerentes à vida dele, quero tê-lo comigo para lhe comprar roupa, alimentá-lo,etc. Tudo isto estou a fazer, no entanto sempre sob ameaça de me ser retirado por não estar acordado no tribunal, porque a mãe tem medo de ficar sem a pensão. Agora pergunto se estiver acordado 50 do tempo para cada pai terei de pagar pensão?»
Se a partilha dos tempos dos menores for 50 por cento para cada um dos pais, em princípio, deixa de fazer sentido a pensão de alimentos. No entanto, esta é uma questão que terá que ser avaliada caso a caso, dada a multiplicidade de acordos que se podem construir. Aconselho a que os pais procurem a ajuda da mediação familiar no sentido de construir, em conjunto, um acordo que seja viável para ambos, contemplando,em primeira instância os interesses do vosso filho.
Mónica Bento Nogueira
Saída do país
Escrito por Maria João Santos Segunda, 24 Outubro 2011 14:25
«Tenho duas meninas, uma com sete anos e outra com dois e meio. Vamos imigrar dentro de alguns meses e não sei como lhes vou explicar. Tenho receio que não se adaptem, principalmente a que tem sete anos, pois já anda na escola e uma nova língua e cultura podem ser demais para ela.»
A vossa decisão está tomada e não depende da vontade das vossas filhas. Foi uma decisão consciente de quem orienta e sabe orientar a vida (a vossa e a delas)! Esta é a realidade que deve ter sempre presente, em qualquer conversa que venha a ter com as suas filhas. Apesar de parecer um «espírito frio», a verdade é que pode transmitir uma enorme segurança.
Deverá dar uma explicação verdadeira, de forma natural, sem qualquer culpa ou insegurança da sua parte. As vossas filhas confiam em vós e estão à espera que os pais sejam os seus orientadores.
Para as questões que refere (dificuldades na adaptação,…), os pais lá estarão para dar um grande suporte emocional, numa nova fase das vossas vidas. Todas as mudanças geram insegurança. Assim, é necessário encará-las com naturalidade, tranquilidade, e ir gerindo aos poucos as dificuldades que forem surgindo, nunca com medos mas com criatividade e segurança.
Maria João Santos
Entrada para a creche
Escrito por Dra. Maria João Santos Terça, 18 Outubro 2011 15:03
«Tenho um filho com dois anos feitos em inicio de Outubro, que começou a ir para creche a 15 de Setembro. Até agora ficava com a avó em casa e está a ser muito diíicil a adaptação. De noite sonha e diz «Num goto», que é o que diz quando chegamos à porta da creche. Fica sempre a chorar e passa o dia a chamar pela mamã. Não dorme nem deixa ninguém dormir porque só chora. Desde que foi para lá atira-se para o chão a fazer birras e dá com a cabeça no chãoEm casa a cena é quase igual, embora menos grave. É cedo para ir para a creche?»
A idade de entrada para a creche difere muito com a organização de cada família. Teoricamente (e as situações nunca se resolvem com base na teoria, simplesmente) a idade em que as crianças beneficiariam mais da entrada para a creche, seria por volta dos três anos. Sensivelmente por esta idade, as crianças começam a olhar para o outro e a beneficiar com a presença dos outros, adquirindo competências sociais.
Claro que há imensas crianças a frequentar as creches com idades muito inferiores e a adaptação é feita sem grandes problemas, embora muitas vezes a fase de adaptação seja complicada.
O seu filho estará a precisar de muita segurança e suporte da sua parte. Ele não precisará de uma solução mas de um suporte para as suas emoções. Precisa que os pais estejam lá para amparar os seus medos, as suas inseguranças, e a sua desorganização emocional. Precisa que o abracem, quando chora, de forma a conter o seu descontrole. Precisa de acreditar que o caminho certo é o de ir para a escola e sentir-se lá bem. A par, os pais poderão conversar com os educadores, para perceber como ele passa o dia. É muito frequente que as crianças sintam dificuldade na separação dos pais e não propriamente em ficar na escola.
Maria João Santos
Não quer sair do infantário
Escrito por Maria João Santos Segunda, 26 Setembro 2011 10:29
«A minha filha, que esteve sempre comigo porque estou desempregada, tem dois anos e meio e entrou para o infantário há quatro dias. Adora lá estar e gosta tanto que quando a vamos buscar não quer vir embora, vira-nos as costas e diz 'sai daqui'. Temos que a aliciar a dizer que vamos aos baloiços ou outra coisa qualquer para querer sair.Fico triste porque não vem a correr ter connosco quando nos vê, mas, por outro lado, é sinal que gosta de lá estar, não é?Será só ao início por ser novidade?
A novidade pode ter o impacto que descreve. É natural que sinta dificuldade com este afastamento, mas é essencial que não se sinta triste com ele. A sua filha está a gostar.
Partilhe com ela essa alegria!
Também esse afastamento é difícil para a sua filha que está a dar os seus primeiros passos na sua autonomia e que não tem outra maneira (ainda não aprendeu consigo) de comunicar, pelo que reage violentamente. Quanto mais ela sentir a sua «tristeza» mais tendência terá de reagir assim, para que possa viver a sua nova alegria – a escola.
Reforço a ideia: Partilhe, genuinamente, essa alegria!
Maria João Santos
Sente-se perdido
Escrito por Maria João Santos Terça, 26 Julho 2011 16:58
«Tenho um filho de 19 anos repetente do 12º ano (Ciências e Tecnologia) e não tem a menor ideia do que fazer/ser no futuro em termos académicos e/ou profissionais. Não se interessa nem demonstra apetência por actividade alguma.Tem todas as condições em casa (quarto,PC,internet, etc). Sem vícios,calado mas não «fechado», tem sentido de humor e um bom grupo de amigos de há muitos anos, que conheço e já no Ensino Superior. Temos uma boa relação pai/filho. Sente-se perdido e eu impotente.Podem ajudar-nos?»
É muito frequente que os jovens tenham alguma dificuldade em encontrar o seu caminho. Nesta altura, parece importante que o seu filho possa recorrer à ajuda de um técnico com o ajude a lidar com uma provável e compreensível desmotivação. Muitas vezes, o percurso vocacional/profissional e o individual podem misturar-se. Torna-se assim necessário que o seu filho possa compreender as diferenças entre os dois. Pretende-se que possa encontrar forças dentre dele para que se envolva no processo de procura do seu próprio caminho.
Maria João Santos
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