Os bebés podem ir à praia?

altUm bebé pode ir à praia no primeiro ano de vida? Pode, claro que pode. Desde que com as devidas precauções.

Olá, bebés. Digam-me: não têm notado que os vossos pais andam muito mais irritados, com pouca paciência para aturar o vosso choro, as filas de trânsito e a crise da política ou do futebol? Mas a culpa não é vossa, é da estação do ano. E não vêem que eles ficam logo mais alegres quando começam a fazer planos para as férias? E quantos de vós não estarão igualmente fartos do infantário ou da ama?
Uma das questões que se levantam aos vossos pais – não sei se o assunto é discutido em família e se a vossa opinião é minimamente escutada, mas enfim... –, é saber se vos podem levar ou não à praia. Praia: palavra mágica, principalmente no Verão.
Com a história do ozono ou da falta dele, as radiações e outras desgraças eco-ambientais, passou-se da inconsciência absoluta para o fundamentalismo de sinal contrário. Pois então vejamos:

PODERÁ UM BEBÉ IR À PRAIA NO PRIMEIRO ANO DE VIDA?
E a esta pergunta respondam com outra: por que não? Dependendo muito do bebé, dos pais, da praia e das condições globais de clima, um bebé pode começar a «fazer praia» desde muito cedo, claro está que com certas regras, para que as coisas corram bem e não venham a sofrer com isso:
- devem evitar-se as horas de maior radiação, ou seja, entre as 11h e as 17h, pois é quando os raios ultravioletas têm maior intensidade. É também quando geralmente faz mais calor (embora convenha diferenciar as duas coisas);
- no entanto, há praias onde antes da uma está um nevoeiro «de cortar à faca» e onde, depois das seis, a nortada não deixa ninguém sossegado. Nesse caso há que ponderar muito bem a situação;
- deve-se, pois, avaliar cada dia e cada praia por si, tendo como regra geral aquele horário mas adaptando-o às circunstâncias;
- além do calor, também a luz pode incomodar – recomenda-se o uso de óculos escuros para todos os bebés (ver caixa) e um chapéu de abas largas;
- já que o que está em causa são vocês, bebés, convém que os vossos pais vejam como estão a reagir à praia: se estão afogueados, encarnados, irritados, impacientes, ou seja, a «pedir» para ir para casa, ou se, pelo contrário, adormecem calmamente à sombra ou estão simplesmente a olhar para as vistas, «a ver quem passa»;
- não deve ser o relógio a mandar na família mas o «estado geral das coisas». Estando atentos à vossa pequenina, mas douta opinião, os pais perceberão se vale a pena continuar na praia ou se mais vale ir para casa.

COMER AREIA
Muitos pais queixam-se que vocês comem areia aos quilos. Isso faz-se? Faz-se, pois claro. A areia em si não faz mal a ninguém e se comerem, paciência, deitá-la-ão fora na primeira ocasião. O único problema é se, misturados com a areia, vão detritos, lixos e outras coisas indesejáveis. Ou pontas de cigarro, que gente desleixada enterra na areia para vocês depois as descobrirem e comerem. Essas pessoas não sabem, provavelmente, que uma beata mastigada por um bebé pode matá-lo. 



As praias vigiadas são limpas quando começa a época balnear e na, maior parte delas, há um processo de limpeza diária, nomeadamente com tractores que peneiram a areia e a alisam. Todavia, mesmo com a crescente «civilização» das pessoas e com o número grande de caixotes do lixo que há nas praias vigiadas, ainda existe muito boa gente que não quer saber dos outros e deita o lixo na areia com o maior desplante.
Façam um estudo do ambiente que vos rodeia quando os pais vos puserem na areia e certifiquem-se que há uma «área protegida» à vossa volta, sem latas de atum, alcatrão, conchas pontiagudas, seringas, preservativos ou outros detritos. 


Alguns de vós têm medo (quase nojo) da areia, chorando, infelicíssimos, quando têm que a tocar com os pés. Pois é, será difícil ir a uma praia que não tenha areia. Aqui, meus amigos, a razão está do lado deles. Peçam para não vos forçarem, mas o melhor é habituarem-se, e cedo verão como é bom sentir a areia, sobretudo se já gatinham ou dão passos.

DORMIR NA PRAIA
A praia tem um efeito imprevisível nos bebés – alguns, que no dia-a-dia até são mauzitos para dormir, chegam à praia e «ronc!», é «Deus com os Anjos». 


Outros, pelo contrário, ficam excitados e não pregam olho. Uma sestazinha a meio do dia é muito salutar e sempre dá uns minutos aos pais para respirarem.

SEGURANÇA
Há muitos aldeamentos turísticos cujas casas têm piscina. Partindo do princípio que são limpas e asseadas, e que o cloro contrabalança todos os chichis que a criançada faz, o maior problema são os afogamentos. 


Todos os anos afogam-se várias crianças em piscinas, muitas vezes à frente dos olhos dos adultos. Para não ter que estar sempre em grande ansiedade, mais vale andarem com braçadeiras. Relativamente às piscinas para bebés, muito cuidado: relembrem os vossos pais que vocês se podem afogar em menos de um palmo de água. 


Além dos afogamentos há mais questões relacionadas com a vossa segurança. Mas não irei maçar os vossos pais com este aspecto porque tenho a certeza de que eles já têm e usam uma cadeira própria para o carro, e nunca deixam de vos pôr lá. Tenho a certeza de que eles vistoriaram a casa onde estão a passar férias, que eles tomam cuidado na praia com os riscos à vossa volta... 


PARA LEVAR NA MOCHILA
Para lá das bolas, baldes, pá e outros utensílios simplesmente fundamentais para um dia bem passado é preciso não esquecer:

CREME PROTECTOR
Já viram, caros bebés, algum filme passado em praias paradisíacas em que o galã não encha de creme as costas da actriz principal debaixo dos olhos invejosos da actriz secundária? Vocês não são menos do que eles; exijam creme, de qualquer marca, mas factor 50, e para aplicar na cara e em todo o corpo, que vocês fazem topless, bottomless e a vossa pele ainda não está «endurecida pelos azares da vida». 


De qualquer forma, não convém que os pais vos exponham ao sol directo, pelo menos até começarem a gatinhar e serem vocês mesmos a tomarem esse «comportamento de risco». Um bebé à sombra (salvo quando vai tomar um banho) é um bebé mais feliz.

ÁGUA
Outra regra – a água. A presença do mar, com os ventos que sopram salgados, mais o calor, a areia e tudo o mais, faz sede, mesmo que não esteja um dia de fornalha. Chamem a atenção dos vossos pais antes de sair de casa, para ter a certeza de que eles levam o biberão de água. A água não precisa de ser fervida mas cuidado, em algumas praias a água é pouco própria para bebés – na dúvida mais vale comprar uma garrafa de água mineral. Quanto a esta questão – a da água – poderá haver diferenças de opinião entre os vossos pais e os pais do bebé do toldo ao lado. Cada cabeça sua sentença, e depois metem-se os familiares ao barulho... ponham ordem na companhia e digam às avós que vocês são bons cientistas, e expliquem que os bebés precisam de água, especialmente se as perdas estiverem aumentadas (calor, febre, diarreia, respiração acelerada por febre ou por infecções respiratórias, vómitos). 


Por outro lado, quanto mais pequenos vocês são, mais sensíveis são e mais rapidamente se desidratam.

COMIDA
Quanto às refeições, já viram que os adultos se contentam com qualquer coisa, comem a «desoras», e alguns querem obrigar-vos a ter o mesmo apetite todos os dias, comer a mesma quantidade, o mesmo inefável «puré de legumes» com a carne triturada mais a papa de fruta, mais não sei o quê? Ensinem aos vossos pais um verbo muito bonito: «Sim-pli-fi-car». Defendam a qualidade dos produtos que vos dão, mas exijam respeito pelas férias, que vos desejo muito boas, calmas e tranquilas. E sejam generosos e gratos: se eles fizerem tudo isto, deixem-nos dormir sem os acordar a meio da noite ou às sete da manhã!.

BANHO DE MAR
A água do mar é água e sal... teoricamente, porque há que juntar tudo o que o homem lhe adicionou e a que globalmente se chama poluição. Segundo aspecto, a temperatura: há praias de água mais fria e praias de água mais quente. Quanto a vocês, bebés, uns detestam, outros adoram, uns choram quando entram, outros choram porque têm de sair. 


É bom tomar um banho de vez em quando, mas digam aos vossos pais para esses banhos não serem muito prolongados e para eles vos enxugarem logo que saírem da água porque a vossa capacidade de secar ao sol é muito limitada. Por outro lado, se tiverem frio, chorem e gritem. Até pode ser que as ondas vos assustem. Não há coisa mais revoltante que ver bebés a chorar convulsivamente ao colo de pais que os mergulham à força. Dá vontade de inverter a situação.


ÓCULOS DE SOL
Tal como acontece nas células da pele, o efeito dos ultravioletas (que deveriam ser apelidados de «ultraviolentos»), são dependentes da dose e cumulativos. Os primeiros 15 anos de vida são essenciais. Na Austrália, onde primeiro se fizeram sentir os efeitos do «buraco do ozono», o número de adolescentes com queimaduras irreversíveis da retina é muito grande.


É fundamental incrementar o uso de óculos escuros desde os dois meses de vida. Dois meses! Começar cedo leva a que os bebés se habituem mais facilmente e também que o nível de radiação, ao fim de uns anos, seja muito menor. 


Pode não ser fácil, requer persistência, força de vontade, admitir que este é um problema grave, e estar-se «nas tintas» para os comentários de alguns palermas que não querem perceber o perigo que vocês, bebés, correm.

Comentar

Código de segurança
Actualizar

Consultório

 "O meu filho, que fez recentemente quatro anos, vive intensamente esta altura do ano. Ainda acredita no Pai Natal e acha que é ele quem lhe traz as prendas. Ainda...

Leia Mais