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Obrigada, pai

Os horários da mãe eram longos. Por isso, era sempre ele que, manhã bem cedo, levava a sua menina até casa da avó. E ao fim do dia era ele que, depois do trabalho, a ia buscar, a levava para casa, lhe dava banho e jantar. E quantas vezes era ele que a deitava, lhe contava a história antes de dormir, lhe aturava as cólicas e as birras. Mais tarde, passou a ir levá-la e buscá-la à escola e continuaram a partilhar (outros) rituais, tarefas e cumplicidades. Até que um dia, quis o destino que deixassem de partilhar a mesma casa. E, sem qualquer explicação ou razão, aos poucos, afastaram-se. Deixaram de se ver e falar todos os dias mas, mesmo longe e silenciosos, continuaram a partilhar afetos, cumplicidades e memórias.  E quando ele, doente, precisou de ajuda, reaproximaram-se de imediato. E voltaram a ser cúmplices… todos os dias.

Desavenças e reencontros deixaram-lhe dois filhos pequenos nos braços. Ultrapassado o desgosto, reorganizou-se para poder trabalhar e criar os meninos. Com a ajuda da sogra e os préstimos pontuais de uma empregada, o dia-a-dia passou a rolar como se nada tivesse acontecido. Cuidou dos meninos o melhor que soube e pôde (e como o fez bem!). Nunca lhes faltou com nada, nunca deixou escapar um queixume ou uma lágrima, nunca perdeu o ânimo ou a coragem. E eles cresceram saudáveis, felizes e mimados. Quando a mãe dos filhos, muitos anos depois, se arrependeu e regressou a casa, ele deixou-a entrar… por amor aos filhos. E depois saiu… até hoje. Mas continuou, mesmo longe, a cuidar dos seus meninos.

Não ser o pai biológico nunca foi problema. Foi ele que o criou, mimou e amparou, lhe deu a mãe e o colo, o levou ao médico e ao futebol. E mesmo quando lhe nasceu a filha, nada mudou. Ele continua a ser o seu filho mais velho. Nunca fez, nem há-de fazer diferenças. Garante que era capaz de dar a vida pelo filho e até sente – mesmo não sendo verdade – que o seu sangue lhe corre nas veias.

O amor de um pai é assim: forte, cúmplice, indestrutível. Estas histórias mostram isso mesmo. São apenas três, mas muitas mais há por aí que são prova disso. Histórias reais, de todos os dias, de lágrimas e sorrisos, ora banais ora desconcertantes. Histórias de amor.

Os estudos científicos garantem que ter um pai (ou uma figura paterna) presente melhora o desenvolvimento cognitivo, o quoficiente de inteligência, o desempenho sócio emocional, a autoconfiança e a resiliência. Mostram ainda, entre outros benefícios, que as crianças têm menos probabilidades de chumbar, de desenvolver comportamentos de risco ou mesmo de sofrer acidentes! A confirmar as estatísticas, as evidências acrescem-lhes outros benefícios indiscutíveis: ter um pai presente torna a criança mais segura, confiante, corajosa, prática, descontraída… e feliz. Nesta edição dedicada ao Pai, renovamos os Parabéns a todos os papás!


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