Escolas podem afastar quem recuse vacina/sarampo

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Os estabelecimentos de ensino podem vir a afastar, durante 21 dias, qualquer pessoa que após a exposição ao vírus do sarampo não seja vacinada. A medida, aconselhada pela Direção-Geral da Saúde, aplica-se aos adultos que recusem a inoculação e aos menores que não recebam a mesma também por a recusarem ou mediante uma decisão nesse sentido, tomada pelos detentores do poder paternal.

“Os delegados de saúde verificam a existência de contacto com um doente em fase de contágio e sugerem, quando indicada, a vacinação. Nestes casos, e perante a recusa da vacinação de qualquer membro da comunidade escolar, em situação de pós-exposição, aconselha-se a não frequência da instituição durante 21 dias após o contacto”, refere a orientação da DGS publicada na página oficial do organismo. A indicação surge após um pedido dos diretores das escolas públicas para a criação de uma circular para tranquilizar os ânimos relativamente às vacinas dos alunos.

Apesar de recomendar um afastamento temporário nas escolas, no caso de recusa de vacinação pós-exposição ao vírus, a DGS insiste que "não há razões para temer uma epidemia de grande magnitude, uma vez que a larga maioria das pessoas está protegida".

Na orientação, assinada pelo diretor-geral, Francisco George, é recordada a elevada cobertura vacinal da população para o sarampo e que “por esta razão, e também pela imunidade de grupo, a probabilidade de propagação do vírus é muito reduzida, incluindo em meio escolar”. Referindo que essa imunidade de grupo protege toda a comunidade, incluindo "as poucas crianças que, por circunstâncias específicas, não estão vacinadas", a orientação às escolas sublinha, ainda assim, que é "importante que todas as crianças sejam vacinadas, para benefício próprio e da população em geral".

"Como é habitual, no ato de matrícula e sua renovação deve ser verificado se a vacinação recomendada está em dia; se não estiver, os pais devem ser aconselhados a ir ao centro de saúde para atualização das vacinas", lê-se no documento da DGS.

Em paralelo, a DGS criou um endereço de correio eletrónico através do qual podem ser esclarecidas dúvidas relativamente aos casos de sarampo: Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript ativado para o visualizar . Por outro lado, a Linha Saúde 24 (808 24 24 24) assegura, como habitualmente, respostas concretas às questões colocadas pelo telefone.


Maioria dos atingidos não-vacinados

A DGS revelou também que 12 dos 21 casos de sarampo confirmados no nosso país – ou seja, mais de metade - são de pessoas sem vacina contra a doença, entre os quais dois profissionais de saúde que não estavam vacinados.

De acordo com um comunicado com a atualização dos números do sarampo foram notificados "46 casos de sarampo, dos quais 21 confirmados e 15 em investigação" e "nos restantes 10 casos foi já excluído o diagnóstico de sarampo". A maioria dos casos ocorreu em adultos com idade superior a 20 anos (13 casos), quatro em crianças com idade inferior a um ano e três casos no grupo etário entre um e quatro anos. Dos 21 casos confirmados, 13 ocorreram na região de Lisboa e Vale do Tejo, sete na região do Algarve e um caso na região norte.

A jovem de 17 anos que morreu com sarampo no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, não estava vacinada, revelou, por sua vez, o ministro da Saúde. "A jovem não estava protegida do ponto de vista imunitário", disse Adalberto Campos Fernandes, em conferência de imprensa, em resposta a uma pergunta sobre se a rapariga estava vacinada.

As razões para este facto ainda não se encontram esclarecidas. Algumas fontes citam uma opção da família, enquanto que outras apontam "motivos clínicos" relacionados com uma alegada alergia a uma inoculação anterior, os quais terão impedido a vacinação da adolescente.

Na mesma ocasião, o ministro manifestou solidariedade para com os pais da jovem que morreu e sublinhou a importância da proteção, frisando que a vacinação "é segura e eficaz". "Assistimos a um combate muito desleal entre a ciência e a opinião (...). A melhor resposta é a prevenção. É tempo de parar com a opinião e a especulação sobre a evidência científica", afirmou o governante. Adalberto Campos Fernandes apelou ainda à população para confiar no sistema de saúde e na capacidade de uma comunidade "solidária e responsável".

"Não julgamos pais, não fazemos juízos de valor. Por vezes, por falta de informação, são levados a tomar as medidas erradas. O valor da vacina é superior à vantagem individual", acrescentou.


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