Jovem com sarampo morre


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A jovem de 17 anos com sarampo que estava internada no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, faleceu hoje de madrugada, revelou fonte hospitalar. De acordo com o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), a jovem morreu "na sequência de uma situação clínica infeciosa com pneumonia bilateral -- sarampo".

O estado de saúde da jovem, que se encontrava internada desde o fim de semana nos cuidados intensivos do hospital Dona Estefânia, "agravou-se consideravelmente nas últimas horas", de acordo com fonte hospitalar, que ontem adiantava que a "equipa médica não estará a conseguir tratar com sucesso a pneumonia bilateral", complicação respiratória que advém da infeção do sarampo.

Atualmente, a inoculação de crianças não é obrigatória e a adoção do Plano Nacional de Vacinação é voluntária por parte dos adultos responsáveis. Perante o atual surto de sarampo que afeta o país, algumas vozes começaram a questionar este sistema legal, defendo a alteração com vista à sua obrigatoriedade.

Segundo o professor catedrático e constitucionalista Paulo Otero, esta é uma decisão que, a ser tomada, tem caráter constitucional, uma vez que, na sua opinião, está em causa a proteção da saúde pública e o perigo de contágio alargado da doença. “Não há nada na Constituição que proíba a vacinação obrigatória”, defende.

Em declarações ao Público, Ana Jorge, ex-ministra da Saúde e pediatra, considerou que Portugal “tem uma taxa de vacinação boa, acima dos 95 por cento, que confere imunidade de grupo, por isso acreditávamos que não iria haver uma epidemia” mas, reconheceu, “pode haver nichos da população que não estão vacinados e isso é como fogo em palha”. O problema, sublinhou, é que “como este vírus não está em circulação em Portugal há muito tempo, a imunidade começa a descer”.

Segundo a ex-ministra, as pessoas “devem vacinar-se se tiverem tido contacto com um caso diagnosticado ou suspeito e devem fazê-lo nas 72 horas seguintes”. sendo que algumas crianças e jovens necessitariam de uma segunda dose de vacina, para reforçar a imunidade. Ana Jorge defendeu ainda que “deveriam ser definidos grupos de maior risco [para a imunização], nomeadamente os profissionais de saúde e os que trabalham em infantários e escolas”, acrescentando que “se a situação se agravar, uma outra estratégia que poderá revelar-se necessária é a antecipação da vacinação dos bebés para os seis ou os nove meses”. [atualmente a primeira dose é dada aos 12 meses].

De recordar que em Portugal, desde janeiro de 2017 e até ao fim do dia de segunda-feira, foram registados 23 casos, 11 dos quais confirmados.

Entretanto, o Ministério da Educação revelou que as escolas públicas estão obrigadas a comunicar ao centro de saúde da sua zona as falhas nos boletins de vacina dos alunos. No entanto, acrescentou, apesar de os estabelecimentos de ensino pedirem o boletim de vacinas em dia na hora da matrícula, nenhum aluno pode ser impedido de se inscrever se não o tiver.


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