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Um ser especial

A¬† In√™s sobreviveu a um cancro e decidiu celebrar a vida com ‚Äúoutra vida‚ÄĚ. A Susana ficou desempregada, mas n√£o desistiu do sonho de prolongar a fam√≠lia e engravidou‚Ķ de g√©meos. A Salete, passados 13 anos, quatro perdas e muitas ‚Äúmarcas de dor‚ÄĚ, conseguiu ter o beb√© com que sonhava. A Isabel teve oito filhos, que criou com alguns sacrif√≠cios e muito amor. A Cristina, m√£e por op√ß√£o e devo√ß√£o, ficou vi√ļva com cinco filhos, mas apoiou-se na f√© e nos amigos e deu uma reviravolta na vida.

Nesta edi√ß√£o de maio, m√™s da M√£e, contamos cinco hist√≥rias de m√£es. Mas muitas mais haveria para partilhar. Hist√≥rias de mulheres e m√£es que, n√£o obstante as agruras da vida, se propuseram a cumprir o seu sonho. Com for√ßa, perseveran√ßa, dedica√ß√£o e, sobretudo, muita paix√£o. Prova de que, mesmo quando as coisas n√£o correm de fei√ß√£o, ‚Äúa necessidade agu√ßa o engenho‚ÄĚ, a coragem renova-se‚Ķ e o amor √© capaz de vencer barreiras.

A verdade √© que as m√£es (e que me desculpem os pais!) t√™m um dom. Ou, pelo menos, um jeito peculiar. Na forma como ultrapassam os momentos delicados (como mostram alguns dos casos que aqui relatamos), mas tamb√©m no modo com que gerem as quest√Ķes banais da vida e lidam com as suas crias. Zelosas nos cuidados, brandas nas decis√Ķes, devotas nos afetos e intensas nas emo√ß√Ķes. Por alguma coisa √© a m√£e que acorda primeiro de noite quando o beb√© chora, que hesita no castigo, que atura as birras, que exagera nos beijos ou que se comove no primeiro dia de aulas. E por alguma coisa tamb√©m √© a m√£e que embala o ber√ßo, que cede mais facilmente nos bra√ßos de ferro, que escuta queixas e confid√™ncias e que se derrete com dedicat√≥rias lamechas no Dia da M√£e.

Talvez porque foi ela que nos gerou nas entranhas, que gritou de dor para nos dar vida, que nos nutriu e uniu por um cord√£o. Um la√ßo de sangue que, quem sabe, torna a M√£e uma pessoa ‚Äúdiferente‚ÄĚ. Mais sens√≠vel, atenta, c√ļmplice e poderosa. Que t√£o depressa derrama l√°grimas perante um gesto simples como reinventa for√ßas para lutar contra as crueldades do destino. Como se aquele esp√©cime que alguns se lembraram ‚Äď sabe-se l√° porqu√™ ‚Äď de apelidar de sexo fraco ficasse, depois da maternidade, com uma ‚Äúmol√©cula‚ÄĚ extra cravada nos genes. Que nos molda a √≠ndole, o sofrimento e o pensamento. No fundo, que faz de n√≥s, m√£es, um ser especial.

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