Banco do Bebé: Começar de novo

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Quem percorre os inúmeros corredores da Maternidade Dr. Alfredo da Costa (MAC) e se cruza com profissionais de saúde, voluntários, futuros pais e bebés está longe de imaginar que, num local recôndito, que obriga à subida de algumas escadas (bastante saudável pela prática de exercício físico) existe uma associação de ajuda ao recém-nascido chamada Banco do Bebé. A Pais&filhos passou uma manhã com algumas voluntárias desta instituição particular de solidariedade social para perceber na prática como é desenvolvido este trabalho que teve origem há 20 anos, comemorados muito recentemente.
Chegados a uma espécie de sótão com várias salas que servem de armazém para os muitos bens que serão entregues aos recém pais e aos recém-nascidos, parece que estamos numa casinha de bonecas onde se respira amor. Tudo é preparado com muito cuidado e o voluntariado ganha destaque. Fora deste primeiro impacto à descoberta deste pequeno mundo da fantasia, somos transportados para um dia a dia muito trabalhoso em prol de famílias com necessidades e bebés carenciados que têm direito a uma vida mais condigna.  Tudo começou pelas mãos de Maria José Nogueira Pinto, diretora da MAC na altura. «Fui convidada juntamente com a Luísa Lencastre para fazer voluntariado na Maternidade. Decidimos experimentar durante três meses, reunindo algumas amigas começando por trabalhar nas urgências», explica Marina Arnoso, presidente da direção do Banco do Bebé. Aos poucos, a iniciativa foi crescendo e atualmente as 50 voluntárias colaboram em praticamente todos os serviços da MAC.
«O Banco do Bebé é assim designado pois há um universo do bebé que apoiamos», acrescenta Marina Arnoso. A experiência é enriquecedora e a equipa muito empenhada. «Em 20 anos, recebi muito mais do que dei. Uma pessoa muda mesmo a sua maneira de ser», ressalva a presidente da direção.



Apoio continuado
O objetivo primordial do Banco do Bebé é assegurar que todos os recém-nascidos tenham níveis mínimos de dignidade para começar as suas vidas. Para muitas mães que tiveram os filhos na MAC, este é um grande apoio mensal, através do qual adquirem enxovais, fraldas, produtos de higiene, roupa e outros artigos, segundo o rastreio efetuado pela equipa de serviço social.
A sala onde são preparados os enxovais – em azul para os meninos e em rosa para as meninas – parece uma autêntica linha de montagem. «Todos os enxovais têm produtos novos. No caso de nascimento de gémeos, oferecemos dois enxovais em vez de um», explica Luísa Abreu Semedo, responsável pelo armazém. Cada enxoval tem um valor de 125€. Mensalmente, o Banco do Bebé atribui cerca de 40 enxovais às mães devidamente referenciadas pelo serviço social.  Existe ainda uma sala onde são preparados conjuntos para crianças mais velhas até aos seis anos (por exemplo, os irmãos dos recém-nascidos que também precisam de apoio). Rita Cardoso Lemos explica-nos que «é feita uma triagem do que chega» As peças de vestuário são lavadas e engomadas para que sejam oferecidas como novas. «Fazemo-lo com todo o carinho e oferecemos os conjuntos como se fosse para um filho nosso», acrescenta.
O apoio dado a estas famílias é continuado uma vez que mensalmente são oferecidos bens essenciais como fraldas, produtos de higiene. Além disso, e não menos importante, o Banco do Bebé apoia as mães desde o início da gravidez e após o nascimento no que respeita ao suporte de medicamentos receitados nas consultas da MAC que não são comparticipados ou apenas parcialmente, o que permite prevenir o nascimento de bebés com problemas de peso ou outros.




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